Dunkirk

O controverso diretor, Christopher Nolan, amado por uns e odiado por outros nos apresenta o que seria talvez seu trabalho mais enxuto, que não abusa de uma longa trama que se estende à base de explicações e complicações, jargões de fé e esperança e acordes no talo de Hans Zimmer, não que ele tenha excluídos todos esses elementos, mas Dunkirk parece ter isso na medida certa.

A trama conta a real história de um grupo de soldados ingleses e franceses encurralados na cidade francesa Dunkirk, enquanto aguardavam resgate tentado a todo custo sobreviver aos ataques durante a segunda guerra mundial.

A cena inicial abre com o que parece ser o final de uma ação. Há folhetos caindo do céu e alguns soldados levantando, como se estivessem acabado de ouvir uma explosão, mas o perigo havia passado provisoriamente. Não sabemos seus nomes e nem mesmo há tempo para interação antes de cair para outra sequência. Em Durkirk não há heróis, existem apenas sobreviventes e nas belas sequências na praia capturadas por IMAX, quando é mostrado a quantidade de soldados à deriva, fica explícito que o filme não pode ter apenas um protagonista, pois todos ali são importantes e tem uma história.

O filme então permeia entre eventos ocorridos em três cenários: terra, ar e água. Cada qual fazendo parte de um momento só até que os elementos se encontrem. Em cada parte, há um grupo em destaque e é nesse ponto que o filme começa a falhar. A rapidez com que os eventos acontecem é proporcional ao tempo que temos para conhecer e nos afeiçoar a cada personagem, e no meio de uma guerra tudo é muito rápido. Nolan então foca nos diálogos dotados de palavras que estimulam o heroísmo e empatia, mas desde seu último filme (Interestellar, 2014) sua habilidade nesse quesito caiu por terra, sendo assim, Nolan falha em nos fazer criar qualquer empatia pelos personagens ali presentes num cenário catastrófico.

A trilha de Zimmer como sempre é ascendente e serve para pontuar os momentos de fortes emoções, aqui ela é contida até chegar no final onde ele pode liberar seu Modus operandi e colocar toda a emoção nos trechos finais.

Dunkirk é claramente um filme de Christopher Nolan, para o bem ou para o mal. Não é uma obra prima, mas não decepciona como seu antecessor.

7/10

 

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