Corra!

Em um trecho de “Watchmen”, o personagem Rorschach conta para seu psicólogo a piada de humor negro do palhaço Pagliacci, que durante um encontro com um médico, expõe sua depressão sobre a vida. O doutor então recomenda que ele vá ver o magnífico show do palhaço Pagliacci na cidade, sem saber que o mesmo estava sentado à sua frente.
Em “Corra” o real comediante Jordan Peele transpõe toda sua angústia num thriller  essencial para descontruir o maniqueísmo da sociedade.

Na trama, Cris e Rose são um jovem casal indo visitar os pais dela. Cris é negro e Rose branca. Ele então passa a ter receio sobre a forma como os pais dela vão lidar com a situação, mas para sua grata surpresa eles se mostram bastante abertos. Mas logo Cris percebe um estranho comportamento na família que o colocará em risco.

É curioso saber como um comediante dirige e escreve um filme como “Corra!” pois sua estrutura é bastante similar a de um stand-up, onde os personagens são caricatos e a história parece ser contada num tom irônico com inserções de piadas até se chegar no final.
Cris é um jovem pacífico que contraria o estereótipo do negro marrento que peita qualquer um que se meter com ele e seu melhor amigo Rod é o típico alívio cômico que acaba por nos surpreender. Rose é a típica garota com ar de superioridade, mas livre de preconceitos, não muito diferentes de seus pais.

A cinematografia evoca uma atmosfera densa e apresenta um bom recurso visual para inserir os momentos em que Cris está sob hipnose. Os diálogos são ótimos, pois transpõe uma bondade artificial que mais parecem situações presenciadas em redes sociais.
Vez ou outra exageram no humor, com piadas desnecessárias que acabam por quebrar o ritmo do filme.
Há a inserção de alguns sustos funcionais e boas reviravoltas, como a “grande descoberta”, que fazem o filme se sobressair muito bem.

Em tempos de esquerda versus direita ou republicanos versus democratas, Peele escancara em seu filme o falso retrato que a sociedade pinta de que estamos divididos entre bem e mal e que questões como racismo são passados e agora somos todos unidos.

8/10

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