Fragmentado

“Fragmentado” conta a história de três garotas que, voltando de uma festa, são sequestradas por um homem com TDI (Transtorno Dissociativo de Identidade) e uma vez, em cativeiro, nunca sabem ao certo com qual de suas personalidades vão lidar a seguir. Algumas dessas personalidades são muito malvadas, enquanto outras são boazinhas. Além do anúncio de que uma personalidade, muito pior do que qualquer uma das que conhecem, está por surgir. E de que desta elas não tem salvação alguma.

O filme aborda muito o TDI, então primeiro falemos sobre esse distúrbio mental antes de qualquer outra coisa. Nesse transtorno, conhecido popularmente como dupla personalidade, ao menos duas personalidades distintas podem se intercalar no “controle” do indivíduo (embora o mais comum sejam muito mais de duas). É um transtorno raro e de difícil diagnóstico (e aparentemente é muito mais subjetivo do que empírico) e por isso gera bastante controvérsia.

Claro que, por ser um filme, a coisa atinge um outro nível. Naquele universo, a TDI gera não só mudanças no cérebro, mas em alguns aspectos, na química do corpo de Kevin. Algumas personalidades são fisicamente mais fortes, outras têm, por exemplo, diabetes. São realmente outros indivíduos. E isso chama a atenção de uma psicóloga que dedicou a sua vida a entender o máximo possível sobre o TDI.

Quanto ao suspense, é muitissimo bem feito. É um filme que te deixa tenso do início ao fim, com os devidos respiros e sem barrigas. Você se interessa pela vida das personagens principais (Kevin e Casey), enquanto as demais entram e saem de cena quando são necessárias ou relevantes para o andamento da história.

Shyamalan faz uso de planos interessantes e dinâmicos que criam um ritmo bem agradável. Aa direção de fotografia cria um ar sombrio sem ficar caricato. Tudo no filme tem uma razão de ser, um sinal claro de um filme bem pensando e bem executado. Você vê diversos elementos ao longo do filme que serão em algum momento reutilizados ou explicados.

ALIÁS, “Fragmentado” conta com uma particularidade muito interessante…
Ele se passa no mesmo universo de Corpo Fechado (de 2002, do mesmo diretor), e a referência é clara e muito bem feita. Um prato cheio para os fãs de Shyamalan que apesar de já conhecerem “a fórmula” do diretor e irem ao filme já sabendo o que esperar,  ainda podem ser supreendidos.

Este elemento que coloca “Fragmentado” e “Corpo Fechado” no mesmo universo acaba sendo uma solução muito boa para o diretor se reinventar, uma vez que ele ficou famoso por apresentar um plot twist em todos os seus filmes, o “elemento surpresa” acaba se perdendo.
Para colocar os dois filmes no mesmo universo, o plot twist usado por Shyamalan desta vez foi bem diferente do habitual e promete grandes coisas para um planejado terceiro filme que fecha a interseção entre as duas produções.

10/10

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