Um Limite Entre Nós

Fences (Um Limite Entre Nós) acompanha um trecho da vida de uma família negra nos EUA nos anos 50. O patriarca Troy Maxson (Denzel Washington) tinha o sonho de ser jogador de baseball. Quando as ligas finalmente aceitaram pessoas negras ele já não tinha mais idade e por isso não foi escolhido. Essa ferida é reaberta depois de muitos anos quando o filho recebe a oportunidade de entrar para o time de futebol americano do colégio e isso gera grande tensão em toda família, além de uma série de outros problemas.

O filme foi baseado numa peça homônima, que estreiou em 1987, quando ganhou diversos Tony Awards. Ela reestreiou em 2010, faturando também diversos Tonys e com o mesmo elenco escalado para o filme.

O roteiro  começa muito complicado e depois vai melhorando. Há uma quantidade enorme de falas nos primeiros 15 ou 20 minutos que é bastante exaustivo. Quando se assiste isso no cinema acho que até não é problema, mas fico pensando que quem vê isso pela TV ou em DVD no futuro vai acabar desistindo antes de ver as partes realmente legais na história.

Pensando bem isso talvez tenha sido de propósito. A personagem de Denzel dá à família uma sensação muito parecida à que eu senti depois desses 20 minutos.

A construção dos personagens ficou muito bem feita. Sabemos tudo sobre eles e sobre o que pensam (e como pensam) logo de início e isso é bem legal. A mudança do humor dos personagens é gradual e está bem apresentada não só graças ao roteiro mas às atuações maravilhosas. Viola Davis pra mim foi o grande destaque. Embora a habilidade de decorar textos de Denzel Washington seja louvável, a carga emocional da personagem de Viola rouba totalmente a cena.

Outra coisa que me agradou muito nesse filme foi a direção. O filme é muito bem dirigido. Os enquadramenos (embora mais clássicos) foram claramente bem pensados. Muitas vezes a ação das personagens (em primeiro plano) pára e o destaque vai para algo que está no fundo e carrega uma carga dramática muitissimo relevante.

Em uma de minhas cenas preferidas está acontecendo uma discussão no quintal. Quando as personagens finalmente param de falar a porta ao fundo se fecha. E aquilo passa a ser também uma porta que se fecha metaforicamente. A relação entre aquelas personagens jamais será a mesma depois daquela briga. Achei incrível.

9/10

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Uma ideia sobre “Um Limite Entre Nós

  1. Pingback: Crítica de Um Limite Entre Nós – Nanna's Way

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