La La Land – Cantando Estações

La La Land é um filme de comédia dramática musical, do diretor Damien Chazelle, que também dirigiu Whiplash. O filme conta com atuações incríveis por parte de seus protagonistas, Emma Stone, no papel de uma garçonete que sonha em ser atriz chamada Mia, e Ryan Gosling, interpretando um saudoso pianista de Jazz chamado Sebastian, que vive preso ao passado. A construção dessas personagens é feita de maneira fluida e natural, sendo ambos personagens críveis e capazes de envolver o público em seus dramas e conquistas. Da mesma forma que o envolvimento emocional entre eles também se dá com uma progressão simples e eficiente. Vale a pena ressaltar também a participação de John Legend no filme, interpretando Keith, um músico amigo de Sebastian, que se mostrou um artista completo, com uma atuação convincente, exibindo um dom que vai além do musical.

Ainda a respeito das atuações, Emma Stone merece um destaque especial, mostrando sua evolução constante como atriz, com uma atuação digna de receber grandes premiações. Além de, da mesma forma que Ryan Gosling, conseguir transmitir seu carisma pessoal para a personagem. São papeis que, com toda certeza, poderão premiar esses dois artistas.

Mesmo tendo um hype altíssimo em torno do seu lançamento no Brasil, o filme não fica abaixo das expectativas. Mesmo que não tenha tantas músicas como de costume em um musical, as existentes são de alto nível e bem encaixadas na trama. Tais cenas focam nas coreografias, utilizando uma filmagem mais aberta de modo que possa mostrá-las por completo, reduzindo o número de cortes para que tenha a maior fluidez possível. Essas coreografias chamam atenção por serem eficazes e condizentes com a maneira utilizada para demarcar a passagem do tempo (por meio das estações do ano) e da ambientação, cenográfica e emocional das personagens, na obra.

Visualmente, o filme é encantador, desde o figurino dos personagens nas coreografias, ornando com o cenário ao redor, até a decoração dos locais frequentados pelos protagonistas. Não é um filme com grande densidade dramática ou profundidade de sentidos, mas mesmo assim consegue transmitir algumas lições, de certo ponto de vista, profundas, sem se tornar chato ou maçante. No entanto, é possível criticar o filme por utilizar um ator branco como sobrevivente e defensor da preservação do jazz clássico, embora seja uma arte criada e essencialmente praticada por negros, tornando-se parte da identidade dos afro-estadunidenses. Porém, mesmo que essa crítica faça sentido, não me parece suficiente para que o filmes se torne realmente pior no meu ponto de vista, mas como um elemento de incoerência que deve ser atentado em outras obras.

Além disso, vale a pena destacar que o filme homenageia alguns clássicos do cinema por meio de algumas referências bem sutis que apenas cinéfilos realmente apaixonados pela sétima arte perceberão e terão uma dose de nostalgia e carinho pelo filme em tais momentos. Outro ponto alto do filme é o seu final, que foge de clichês Hollywoodianos e é capaz de surpreender o espectador. Em suma, o filme é uma grande exibição visual, nostálgico e com personagens bem atraentes em seus aspectos dramáticos, mas, ainda mais, carismáticos. A obra não tem o suficiente para ser considerada como um filme genial, mas atende muito bem à sua proposta, o que me faz avalia-la com uma nota

8/10

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