Sete Homens e um Destino

Em 1954, Akira Kurosawa lançava seu magnífico Os Sete Samurais, uma história de amizade e altruísmo que tocou o coração de Hollywood o suficiente para que não muitos anos depois construíssem sua própria e também magnífica versão do filme de Kurosawa, que nas mãos do diretor John Sturges ficou consagrada como Sete Homens e um Destino. Agora, na era de ascensão dos remakes, foi a vez Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, 2001) tentar a sorte com sua visão e tecnologia, que acabou fazendo com o que o uma história magnífica se tornasse… Interessante.

Na trama, uma pequena cidade é aterrorizada pela gangue de Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard), a moradora Emma Cullen (Haley Bennett) saem em busca de ajuda e se depara com o caçador de recompensas Chisolm (Washington) que junto de seis amigos partem em uma jornada suicida.

Fuqua tinha todo um arsenal necessário para tornar sua versão tão icônica quanto às outras, um bom elenco, um bom compositor, e duas horas de duração para desenvolver tudo. Sete Homens e Um Destino é um filme longo, do tipo que passa bem rápido, há breves momentos de respiro que servem tanto para desenvolver as relações de amizade entre o bando, como também para nos informar sobre a passagem temporal. De fato, é um filme que tenta tomar cuidado com seu desenvolvimento, tudo lá é feito às pressas porque é necessário que a trama avance, mas nada parece muito fora do eixo ou inaceitável, principalmente as diferentes etnias presentes no bando.

A fotografia é sempre linda, dotada de cores em contraste, planos abertos e um bom uso de luz e sombra, já não se pode dizer muito sobre o som, ele parece inexistente, num cenário que deveria haver ao menos um som de grilos ou do vento. O filme também cumpre bem seu papel na hora de referenciar seus antecessores do western exibindo a clássica metralhadora tão ameaçadora.

Ótimos elementos estão presentes na versão de Fuqua, mas o maior problema está na raiz do filme, o roteiro. Do início ao fim, o filme entra numa série de clichês que desestruturam toda sua construção, e fazem do ato final um verdadeiro desastre, ainda que as cenas de ação sejam bem conduzidas, não há ali um momento de surpresa, na verdade, não há no filme um momento de surpresa. Tudo parece correr exatamente como um filme feito em 1960. As motivações que levam o bando a se aventurar na missão são tão apressadas que talvez só nos convençam alguns, pelo fato de conhecerem à versão clássica. Nenhum personagem é bem desenvolvido, o que faz com que não tenhamos nenhuma empatia por qualquer um deles.

Sete Homens e Um Destino é um bom filme, é desnecessário, mas não mancha o nome dos clássicos. É apressado apesar de sua longa duração, usa das referências que têm, mas não acerta o momento. Mas é bonito e bem executado o suficiente para não ser uma perda de tempo.

6/10

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