Águas Rasas

Não há muito que dizer a respeito de filmes em que há apenas o homem “civilizado” contra os perigos da natureza. Grandes clássicos como Tubarão, Orca: A Baleia Assassina e Moby Dick já nos contaram esse embate de forma bem feita, antes de se transformarem em crocodilos gigantes e tubarões voadores. Portanto é um desafio para o diretor Jaume Collet-Serra, conhecido por filmes de ação com Liam Neeson e pelo cultuado “A Órfã” (2009) nos fazer apostar em um filme com a temática de Águas Rasas no qual tudo o que ele poderia oferecer já nos foi contado diversas vezes que, em sua maioria, não valeram a pena. 

Mas Jaume possui um talento que poucos oferecem na indústria, e não é uma direção impecável, mas sim a capacidade que ele tem de transpor as passagens de tempo. Os filmes de Jaume em maior parte trabalham com tensão e a necessidade de se resolver uma situação em horas, caso contrário estará tudo perdido, assim como na série 24 Horas. E é isso que Águas Rasas têm de inovador a oferecer: uma tensão em tempo real muito bem construída com uma personagem que pouco nos interessa, mas que mesmo assim queremos ver saindo de sua situação de perigo tão intacta quando possível e um vilão meio artificial que causa pânico sempre que ameaça aparecer.

Na trama a estudante de medicina Nancy (Blake Lively) viaja até uma praia desconhecida em busca de resgatar memórias deixadas pela mãe, mas devido a um acidente Nancy fica ferida e a mercê de um tubarão. Cabe então a ela usar dos recursos que tiver e de suas habilidades para escapar.

Como dito, não há muito que falar desse tipo de filme: é basicamente humano versus animal e nada mais que isso além de algumas subtramas que não são importantes e que, no filme, são um tédio e seu maior defeito, culminando em uma cena final que quebra o clima muito bem construído numa verdadeira vergonha alheia.
A fotografia por outro lado, só contribui, não oferece nada demais, mas agrega bastante. A maior parte dos planos é fechada em Nancy, e ainda sim conseguimos ter uma noção do espaço e calcular o quanto ela precisa nadar pra chegar à costa e é isso o grande trufo do filme, pois ela está relativamente bem perto da terra, mas o tubarão é mais rápido e a única alternativa que resta é enfrentá-lo.

Águas Rasas não trouxe nada de muito novo ou útil para o gênero, mas não é um desperdício de tempo assisti-lo. Seu pouco tempo de duração parece ter sido pensado exatamente para que o espectador não canse logo da personagem e deseje que o tubarão a estraçalhe, o que funcionou bem.

7/10

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