Ben-Hur

Por Cleiton Lopes

Ben-Hur” (1959) é um daqueles filmes clássicos que sempre dão as caras por aí, em listas de cinéfilos ou lembrado por ter levado uma boa remessa de Oscars mas que fica pra depois e a gente acaba não vendo. Fui assistir ao remake sabendo apenas destas informações e lembrando que tinha uma cena de remo num barco e uma famosa com corridas de cavalos. Só isso.

Visual e tecnicamente o filme é bem bonito. Uma dica é assistí-lo em uma sala decente, que possua ao menos um bom sistema de som. Vale a experiência. Quanto ao 3D, ele não faz tanta falta assim.

O filme se passa quando Jesus de Nazaré (mais a frente falaremos sobre ele) caminhava, literalmente, sobre a terra. Roma tenta expandir seu império de forma cruel e não poupa esforços nem vidas para isso. Nosso protagonista, o nobre Judah Ben-Hur (Jack Huston), prefere não interferir nos acontecimentos do momento e só segue sua vida. Até que é forçado a participar da história. Se você já viu o clássico sabe de que forma isso acontece. Se não, paro por aqui para deixar de surpresa.

O que pode incomodar no filme principalmente foi o envolvimento com os personagens. É possível entender seus dramas, suas preocupações e seus desejos mas isto para por aí. Acabamos não nos importando de verdade com o que acontece com cada um.
Aliás, esse não é um problema somente deste filme, parece ser uma condição das produções mais recentes mas, isso é assunto para outra hora.

Jack Huston também não convence muito como Judah, me interessei mais pelo drama de seu irmão adotivo Messalla e a atuação de Toby Kebbell (que só consigo lembrar como o roqueiro Johnny Quid em Rock’n Rolla) me convenceu mais que o próprio Hur. Aliás, em alguns momentos, a trupe de Pôncio Pilatos lembra mais membros de uma gangue de um filme do Guy Ritchie do que romanos “clássicos”.

Agora, quem apareceu pouco e ficou marcado, ao menos para mim, foi Rodrigo Santoro como Jesus. Ouso dizer que ele teve a melhor atuação do filme. Dentro de tantas coisas ocorrendo quase simultaneamente, coisas mal explicadas e romanos chutando portas, a chegada de Jesus é um alívio e Rodrigo faz por merecer o papel. As passagens com a personalidade são bem rápidas mas bem justificadas e vemos em ação um Cristo de verdade, que prega o amor, e não tocando sua campainha domingo de manhã.

E, em um filme que tem Jesus caminhando por aí, é claro que tinhamos de ter a presença de Morgan “voz de Deus” Freeman como uma espécie de tutor para Hur que usa dreads grisalhos.

Feito essas considerações, o filme é interessante. A função dele parece não ser a de se tornar uma produção digna de Oscar ou com grandes papeis e atuações. Visto isso, ele vai atender a demanda do público médio que quer ver uma historia com amor, família e um pouquinho de ação. Inclusive, as duas cenas que citei no começo, a do barco e a da corrida de cavalos, são muito bem filmadas e os efeitos utilizados de forma prudente e interessante. A do barco, em especial, é bem interessante.

Para um nerd chega até a doer dizer isso mas, dentre as opções de cinema, Ben-Hur é muito mais “assistível” e proveitoso do que a bagunça chamada Esquadrão Suicida. Aqui a atenção entre os personagens são bem dosadas e alguém que, aparentemente, não faz parte do eixo principal da história, não está no filme de graça, só para chamar público. Faz o que precisa ser feito e some como um milagre. Valeu Jesus, você é massa (ao menos no filme).

8/10

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