Esquadrão Suicida

Vale a pena se distanciar tanto de uma visão polêmica e perder seu projeto original de vista?
Este é um dos questionamentos que Esquadrão Suicida me causou. Acompanhem-me enquanto eu tento ver o que deu errado.

Terceiro projeto do universo cinemático da DC Comics, Esquadrão Suicida, que na teoria adaptaria a superequipe homônima formada em sua maioria por vilões para as grandes telas, desde o começo causou certa discórdia quanto ao elenco escolhido. O diretor David Ayer (que roteirizou o ótimo Dia de Treinamento) parecia um bom nome pra trazer os criminosos amorais do Esquadrão à vida, e escreveu ele mesmo o roteiro. Prometiam um filme de ação sombrio e tão pesado quanto sua classificação permitia, e quando veio o primeiro trailer, fomos bombardeados com cores, piadas, música pop e violência estilizada. Em quase nada lembrava o ótimo material dos anos 80 escrito por John Ostrander e ilustrado por Luke McDonnell, embora o filme empreste tramas e elementos desta época em abundância. Mas, diferente deste material de inspiração, o filme pouco se esforça pra trazer simpatia e compaixão para com os monstros enjaulados do elenco original.

A premissa é simples: Num mundo pós Batman VS Superman que teme os meta-humanos, Amanda Waller (defendida com louvor por Viola Davis) praticamente chantageia o governo estadunidense a deixá-la colocar em prática a iniciativa Força-Tarefa X: usar criminosos com habilidades sobre-humanas em missões com chances de sobrevivência quase nula em prol da sociedade ou interesses do país.

Ela reúne 6 indivíduos, que são quase todos introduzidos com painéis berrantes e redundantes: o atirador de elite Floyd Lawton, vulgo Pistoleiro (Will Smith, deformando completamente o personagem); o ladrão de bancos Digger Harkness, apelidado de Capitão Bumerangue (Jai Courtney, que pouco expande o estereótipo “bogan”, ou delinquente natural da Austrália que lhe foi confiado); O canibal mutante Waylon Jones, o Croc Assassino (Adewale Akinnuoye-Agbaje, se divertindo bastante, com pouca expressão); o ex-gângster arrependido Chato Santana, ou El Diablo (Jay Hernandez, aproveitando o pouco que o roteiro lhe dá); o mercenário Christopher Weiss, conhecido como Amarra (Adam Beach, pisque e ele vai sumir); e a ex-psiquiatra do Asilo Arkham Harleen Quinzel, que depois de ser seduzida pelo Coringa (Jared Leto, um equívoco, e graças aos céus, pouco usado), tornou-se a louca criminosa Arlequina (Margot Robbie, extremamente irritante).

Acompanham o time o tenente Rick Flag (Joel Kinnaman, competente, com umas forçadas de barra), a assassina Katana (Karen Fukuhara, bem eficiente) e a Dra. June Moone, que serve de veículo para a poderosa Magia, uma bruxa interdimensional (Cara Delevingne, com suas costumeiras sobrancelhas mega-expressivas e passos de dança pra Sapucaí).
O time é reunido para enfrentar uma ameaça de nível planetário ironicamente causada por um de seus membros. E é isso.

O roteiro extremamente simples funcionaria, se não fossem os diálogos atrozes e o pouquíssimo desenvolvimento dos personagens. A camaradagem dos membros do Esquadrão é muito forçada e soa ridícula no fim do filme. As cenas de ação em sua maioria são apenas violência estilizada sem classe ou graciosidade. Os figurinos pouco lembram os personagens em qualquer versão dos quadrinhos, mesmo com a enxurrada de referências aos mesmos (um erro não corrigido de Batman VS Superman). Exceto por Viola Davis, todos os membros do elenco parecem desconfortáveis em seus papéis.

Isso é maximizado pelo ritmo enjambrado do filme, que usa de cortes rápidos e flashbacks intercalados com uso extensivo de música pop, construindo uma narrativa realmente enervante. E aí entra o boato de que o filme passou por extensas refilmagens para eliminar o prometido tom sombrio inicial e distanciar o filme de Batman V Superman, repudiado por crítica e grande parte do público.

E fazendo isso, com inspirações claras em Deadpool da Fox e Guardiões da Galáxia da Marvel Studios, produziram um filme esquizofrênico e quase alienante. A Warner tem sido 8 ou 80 em seus projetos de personagens da DC Comics. Ou sombrios e sérios demais, ou uma barragem de cores e sons esquizofrênicos. O filme também prepara o terreno para Liga da Justiça com cenas curtas (uma pós-créditos, inclusive), num tom mais leve do que o apresentado em Batman VS Superman, que se depender do estúdio, será esquecido logo. Só o tempo dirá se a Warner conseguirá acertar em Liga da Justiça e no vindouro Mulher-Maravilha, mas por agora, Esquadrão Suicida é um erro sólido. Uma verdadeira aula do que não fazer pra criar uma nova franquia. Espalhafatoso demais, e no fim, irrelevante.
Como disse meu anfitrião, a quem agradeço o empréstimo do espaço, “Uma pena que vai fazer sucesso.”

3/10

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