Dois Caras Legais

Depois de assistir Dois Caras Legais deixei o cinema certo de que Ryan Gosling e Russell Crowe formam um par no gênero Buddy Cop bastante eficiente. O contexto em que o filme se desenvolve é uma Los Angeles nos anos de 1970, regada à pornografia, drogas e homens  de meia idade moralistas. De fato, a questão dos homens de meia idade moralistas é de muitíssima importância para esse filme, que talvez possa ser pensado como algo no viés de Vício Inerente, de P.T. Anderson, mas com uma pegada digna do roteirista de Máquina Mortífera, Shane Black. Os homens moralistas são, na concepção dos protagonistas, a ordem e progresso da sociedade americana. Eles estão para todo lado, nos mais variados empregos e são, naturalmente, injustiçados. Reside no coração deles um sentimento de ressentimento, de amargor. R. G. e R. C. personificam o falho sonho americano, corrompido por jovens fumantes de maconha e hippies, não que eles não estejam soterrados em desejos alcoólicos.

A comédia de Dois Caras Legais se faz em diversos momentos de quebra de expectativa em que conflitos que sofrem uma construção de tensão grande se desfazem em questão de segundos, em gestos banais, exagerados e desajeitados. Jackson e Holland trabalham na dinâmica mais famosa do Buddy Cop, sendo um deles bruto e outro perspicaz. Não há nada de particularmente chamativo na performance dos atores, além de exercerem bem seus arquétipos. A trama do filme poderia ser confusa por ser repleta de twists, mas o roteiro é organizado de uma forma coerente em que os nós se fecham. A sensação de satisfação que muitos sentem com essa qualidade fechada da roteirização não me apetece, então só representa uma característica apática. Nesse terreno de humor programado o filme se sai bem na medida do possível, mas a ausência de riscos tomados pelo roteiro leva à um resultado medíocre, tendendo para o acima da média.

Para concluir, poderia se dizer que a química entre os protagonista seria irresistível, por sua fluidez. Não creio que seja o suficiente para sustentar um filme em uma consideração maior do que “uma boa hora e meia de diversão”. Não que ele precise ser mais do que isso, mas é preciso dar nome aos bois. O diálogo é irreverente, a trama é divertida, a cenografia é maravilhosamente setentista, e deixei a sala de cinema com a sensação de serviço cumprido (?). Talvez seja isso que os filmes provocam hoje em dia, essa sensação de plenitude programada. Dois Caras Legais se esforça mais do que a típica comédia pastelão em fazer o espectador se engajar de fato na trama. O resultado é tudo que esperávamos, mas não deixa de ser uma jornada divertida.

7/10

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