A Lenda de Tarzan

Se perguntarem a qualquer um quem é Edgar Rice Burroughs é provável que bem poucos saibam a resposta, mas se perguntarem sobre Tarzan, é pouco provável que alguém não saiba quem é. Isso porque temos um claro exemplo de que a criatura transcendeu as eras que seu criador não pode acompanhar. Toda geração tem o Tarzan que merece.

Nossa geração teve David Yates quem dirigiu os últimos quatro filmes da franquia Harry Potter, Yates sabe como contar uma história sombria e realista usando elementos fantásticos, e tentou transpor sua visão em Tarzan, o que funcionou muito bem nas sequencias em Londes, mostrando não um Tarzan: O Rei da Selva, mas como o almofadinha Lorde Greystoke, que tenta com o esforço de uma criança, se adaptar aos costumes da alta sociedade. Claramente Tarzan (Alexander Skarsgård) se sente preso num mundo cinza e chuvoso e sua única parte em cores é a amada Jane (Margot Robbie) e por uma armadilha criada pelo braço direito do rei da Bélgica, Leon Rom (Waltz) Lorde Greystoke precisa retornar às suas origens e voltar a ser o rei da selva.

Com um belo encontro entre Tarzan e uma família de felinos, Yates consegue muito bem nos fazer entender que o lorde ficou para trás. Com belas e amplas tomadas preenchidas de cores num tom de sépia, a fotografia sombria é deixada de lado e agora podemos vivenciar um mundo civilizado que é chamado de selvagem.

Ninguém pediu por uma versão Christopher Nolan’s Tarzan: The Dark Knight, mas Yates quis nos entregar uma, e sua maior falha foi esquecer que uma versão sombria e realista, precisa ser realista. A trama de A Lenda de Tarzan é rasa, cheia de personagens desperdiçados, salvos por seus carismas. Novamente tems Waltz interpretando os mesmos vilões (serenos e perigosos), mas aqui ele luta, e isso foi um diferencial em conjunto com Margot Robbie que faz piada com sua condição de “dama em perigo” e toma à frente da luta. Skarsgård não é o melhor dos Tarzans, mas certamente é o mais forte, seu olhar cabisbaixo e as mãos quase sempre fechadas demonstram que sua estrutura óssea foi mudada e apesar dos esforços, ele é mais macaco que humano.

E esses são os pontos positivos de uma história sem pé nem cabeça, com um talento desperdiçado de Djimon Houson interpretando um vilão que nem mesmo mantém firme suas motivações. Yates também nos decepciona no quesito montagem, pois vemos um festival de cortes onde mal se quer dá tempo de apreciar o cenário, e para alguém que se balança pelos cipós, no mínimo precisamos de alguns segundos tentando compreender o sentimento por trás daquele momento tão simbólico.

Por fim, A Lenda de Tarzan não é um filme, mas passa longe de ser bom, sua trilha não agrada, parte do seu elenco sim, parte não, a fotografia apesar de bela, soa falsa em inúmeros momentos importantes e ao final, fica a sensação de que é um filme incompleto, falta clímax, falta desenvolvimento e estrutura. A única palavra que pode definir esse filme de Yates é na verdade alguma onomatopeia que represente algo que não é bom e nem ruim e muito menos significativo.

5/10

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