Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

Por mais cético que você possa ser há de convir que existe algo de muito errado com as adaptações de games para o cinema, nenhuma delas, talvez com exceção de Mortal Kombat (1995) alcançou um sucesso de público e crítica que chegasse perto dos games nos quais foram baseados. Warcraft veio com a proposta de mudar isso ao colocar um bom diretor e fã da série que é Duncan Jones, para adaptar um game com uma trama épica onde tudo o que você (espectador) consegue ver diante da tela é uma porção de “bonequinhos” andando pra lá e pra cá soltando luzes e batendo nas coisas para um filme onde há uma porção de “bonequinhos” pra lá e pra cá soltando luzes e batendo nas coisas, mas com os gráficos no Full.

Warcraft tinha tudo o que era preciso pra quebrar a tal “maldição” todos os recursos, mas o que fazer quando se está divido entre: o desejo dos fãs de ver tudo o que eles conhecem mais realista do que nunca, ou o trabalho de um diretor que tem como base principal contar uma história com início, meio e fim? Talvez isso tenha pesado tanto em Jones que ele surtou e não soube mediar o tamanho do monstro que tinha criado.

Na trama: o mundo dos Orcs está devastado por conta do uso excessivo de magia, resta a eles, usar um portal para chegar ao mundo dos humanos e conquistar suas terras. O líder Durotan (Toby Kebbell) temendo que os Orcs cometessem o mesmo erro novamente, tenta forjar uma aliança com o Rei Llane Wrynn (Dominic Cooper) e o guerreiro Anduin Lothar (Travis Fimmel) para que combatam o Orc Gul’dan (Daniel Wu) que usa a magia para manipular seu povo.

E não para por ai, Warcraft têm tantos personagens que nem se sabe ao certo quais valem a pena mencionar, pois a importância atribuída a eles é quase a mesma, apesar de cada um ter sua função muito bem colocada o excessivo entra e sai de personagens é o que mais prejudica Warcraft, são tantas raças, tantos pontos de vista, tantas inter-relações que parecem uma temporada de série compilada em 2h3 de filme, horas que você vê passar. Mas é claro que Jones acertou em inúmeros pontos, e pontos chave. O filme além de nos fazer crer que os Orcs estão lá e que tem sentimentos, nos fazer crer que as belas cidades criadas em CGI são reais, não fosse o filme passar tanto tempo dentro de castelos ele seria um excelente candidato a prêmio de efeitos visuais. Além da bela e cinematografia, o filme acerta em sua trilha sonora que mistura batidas de tambor como se estivesse chamando para a guerra.

Warcraft é um filme cheio de defeitos que infelizmente sobrepõe seus acertos, mas seus acertos são tão precisos que fica a dúvida se merece ou não um segundo encontro entre dois mundos.

6/10

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