Vizinhos 2

As comédias do diretor Nicholas Stoller parecem ter um diferencial em sua abordagem, não saindo do clichê de ser um típico besteirol americano com gordos e gostosas, Stoller conseguiu encaixar de maneira muito concisa uma crítica aos atuais períodos pelos quais a geração quarentona e os jovens vêm passando, seja a crise de desemprego em As Loucuras de Dick & Jane (2005) ou a onda de vazamento de vídeos íntimos na web em Sextape: Perdido na Nuvem (2014), Stoller agora introduz a geração da “problematização”: jovens que começam a questionar o mundo patriarcal em que vivemos, onde os homens são o centro das atenções, então, lutar pelos seus direitos é uma obrigação.

E assim a trama de Vizinhos 2 trás novamente os protagonistas Mac Radner (Seth Rogen) Teddy Sanders (Zac Efron) e Kelly Radner (Rose Byrne) que agora se unem contra a república formada por meninas e lideradas por Shelby (Chloë Grace Moretz). Se antes as piadas com sexo e escatologia eram aguardadas pelo público, agora Stoller tenta voltar ao velho humor que prioriza quedas e feições engraçadas, não que ele deixe de lado o velho humor sexista, mas o põe de lado, como algo de que deva ser combatido. E por isso pode perder um pouco o teor de comédia, por outro lado, Vizinhos 2 entrega uma das melhores performances de comédia (ou até mesmo de atuação em geral) de Zack Efron que está excelente, assim como Rose Byrne que vem se destacando muito em seus papéis engraçados.

É claro que para Vizinhos 2 não perder o ter de continuação, rápidas participações como Christopher Mintz-Plasse e Dave Franco são adicionadas, ainda que necessariamente não precisem, assim como algumas piadas repetidas que estão lá para nos lembrar que é uma continuação.

Vizinhos 2 pode não ser tão engraçado como seu anterior, mas suas piadas, lá no fundo (nem tanto assim) nos fazem pensar até o onde a falta do politicamente correto nos faz rir de piadas sexistas e extremistas, o filme está longe de ser um exemplo disso (vide a piada do dildo) mas colocando dois quarentões contra a nova geração feminista e um meio termo entre isso, é curioso observar o choque de gerações e as piadas que isso pode render.

6/10

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