Voando Alto

Por Fábio de Carvalho

A correspondência entre expectativa e fato é temática extensivamente explorada pelo imaginário cinematográfico. Como solução narrativa, baseada em fatos reais, o filme Voando Alto nos diz que o esforço e a paixão podem levar a resultados nunca antes imaginados. O atleta olímpico Eddie Edwards, interpretado por Taron Egerton, possui antes de tudo uma paixão incomensurável, um desejo de se provar acima das expectativas do mundo. Esse tipo de fogo queimou carvão para muitos, muitos filmes. Nesse departamento creio que Voando Alto não se destaca, exatamente. É uma biopic inspiradora, no sentido mais contemporaneamente hollywoodiano da palavra. Mas, assim como seu personagem aparentemente medíocre e excessivamente ambicioso, o filme possuí um coração que bate forte, e que eventualmente conquista pela sua incansável crença no potencial do protagonista. Que logicamente estaria dentro de todos nós, conquanto estejamos dispostos a nos permitir.

O personagem de Taron Egerton é um ser humano socialmente atrofiado, que tem um grande sonho durante toda sua vida: competir nos jogos olímpicos. O salto de esqui é uma das categorias mais perigosas dos jogos de inverno, e é nessa categoria que nosso herói compete. Sua obstinação conquista admiradores e não crentes, mas no fim do dia todos possuem alguma simpatia pelo homem, por sua pureza e surpreendente lucidez. A jornada de Eddie é de autodescoberta, e ele se vê frente a desafios muito distantes do que ele poderia prever. A história passa a não ser só sua, mas também da redenção de seu não-técnico Bronson Peary(Hugh Jackman) que busca orientar Eddie para que esse não cometa os seus mesmos erros. É na doçura dos personagens que Voando Alto brilha. Eddie e Bronson formam uma dupla inesperadamente simpática.

O magnifico do esporte do salto de esqui está justamente no seu altíssimo perigo. Os atletas são treinados a vida toda para breves momentos de absoluta concentração e equilíbrio. O que é de nossas vidas, senão um constante treino. Mas para que? A falta de significado muitas vezes é um buraco a ser preenchido pela busca de algo eminente, cabal, gritante. O salto de esqui é um grito pela vida. É um esporte de afirmação e de negação. Ou você sobrevive ao salto, ou não. Em um de seus momentos finais o filme traz à tona um de seus pontos mais interessantes. Eddie está ali para se superar, não para superar outras pessoas. Aquela é a luta dele, só dele. E só de estar ali, ele já venceu.

7/10

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