Deadpool

Por Alice Lapertosa

Deadpool (Ryan Reynolds) está num táxi dando conselhos amorosos a seu amigo motorista. Nosso protagonista desce e continua sua perseguição. O alvo: Ajax (Ed Skrein), cientista responsável por desfigurar seu lindo corpinho. Enquanto tenta realizar o plano de vingança – e é interrompido por dois X-Men -, Deadpool decide nos contar sobre o que andou fazendo nos últimos anos.

Ele fala que a história é sobre amor, em meio a uma cena de ação banhada em sangue – o que provoca risadas diante de tal descabimento. A trama se desenvolve em três vertentes: a origem, a vingança e o relacionamento com Vanessa (Morena Baccarin). A química bem-humorada dos dois é notável. Os temas se encaixam perfeitamente e percebe-se que qualquer coisa tem cabimento sim, se vivida e contada pela mente insana do Deadpool.

Ele sabe que está num filme, então resolve narrá-lo de vez em quando. Tem conhecimento do Universo Marvel e debocha da sua aparição bizarra em “X-Men Origins: Wolverine”, além de chamar seu intérprete de bonitão. Daí já dá pra sacar que finalmente fizeram um longa-metragem que faz jus a seu personagem. No quesito substancialidade, Deadpool se assemelha mais com as novas séries que a Netflix tem produzido do que com as produções da Fox / Marvel para o cinema. Vamos torcer para que influencie as futuras.

Grande parte do mérito fica por conta de Ryan Reynolds, que insistiu no projeto junto aos roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick (os mesmos de “Zumbilândia”) e o diretor estreante Tim Miller (mais conhecido pelos efeitos especiais de “Scott Pilgrim”). A equipe deixou vazar um teste que foi muito bem aceito pelos fãs, o que garantiu o sinal verde para a produção, mesmo com orçamento inferior (os grandes estúdios ainda insistem em injetar dinheiro prioritariamente em produções do tipo receita-de-bolo-mofado, Quarteto Fantástico está aí para ilustrar o resultado). Como não podia ser diferente, Deadpool comenta sobre isso nos divertidos pós-créditos e na(impagável) cena na mansão dos X-Men.

Mais de uma hora e meia passa voando (estamos entretidos com o Mercenário Tagarela), entupida do humor retardado e irônico do personagem , piadas sujas, os comentários sobre o orçamento da produção e situações absurdas – tudo sem um pingo de hipocrisia, chateação politicamente correta ou tentativas veladas de censura. Alguns personagens ficam meio apagadinhos – os vilões, principalmente, pouco desenvolvidos – e senti falta da dinâmica inovadora após o desfecho da batalha, talvez única cena realmente clichê. Se você for um daqueles fãs que leram todos os quadrinhos, pode se decepcionar um pouco por não ter visto as três personalidades do Deadpool em conflito na tela. Mas bem pouquinho, porque vai estar ocupado se divertindo.

9/10

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