A 5ª Onda

Por Alice Lapertosa

Filmes adolescentes são feitos para um determinado público que, em geral, imagina-se estar num estado confuso, egocêntrico (quem está começando a se descobrir raramente consegue olhar pra si e para os outros com certo discernimento). Nós adultos muitas vezes falhamos ao criticar os problema fúteis e a linguagem simplista de tais produtos voltados para essa faixa etária, esquecendo que a maioria de nós já esteve lá. O que de forma nenhuma implica na necessidade de se fazer algo vazio e repetitivo.

A premissa de “A 5ª Onda”: O planeta foi invadido por alienígenas cuja presença nunca está muito clara, na forma de uma nave pairando acima da cidade (uma versão piorada da de “Distrito 9”) e a desconfiança da população, que acredita que os intrusos se infiltraram na forma de humanos para destruí-los. São lançados quatro grande ataques envolvendo corte de energia, inundações, uma gripe aviária e os ETs disfarçados.

Cassie (Chloë Grace Moretz) é uma garota cujo pai é assassinado e se perde do irmão mais novo. Para encontrá-lo, ela se junta a Evan Walker (Alex Roe) – um estranho resistente -, e posteriormente a Ben Parish (Nick Robinson) e seu grupo de rebeldes. Cassie fica dividida entre eles e rola o romance de praxe com direito às cenas de “vamos curar seus machucados”e um banho sem camisa no rio. Parêntese aqui para dizer que uma coisa sensacional trazida pela inundação de protagonistas femininas em adaptações de ação e aventura são as passagens (mesmo que rápidas) de semi-nudez masculina, antes dominadas somente pelas garotas gostosas. E pra não ser injusto com quem preferia a moda antiga, vamos logo acabar com a discriminação por sexo e todo mundo tira a camisa nos filmes.

Falando em clichês e da reinvenção deles, os diálogos da trama são algo além de sua geração, ganhando para todas as novelas mexicanas dos anos 90. Cassie é uma versão menos coerente de Katniss (Jogos Vorazes), vivendo num universo menos rico de detalhes. O que se salva em “A 5ª Onda” são Chloë Grace Moretz, Nick Robinson com sua atuação engraçada e Bailey Anne Borders interpretando uma rebeldezinha de visual meio punk. Os três jovens atores são mais competentes que toda a trama e o produto inteiro. Os últimos minutos também surpreendem positivamente simplesmente por não serem mais um balde de melodrama ou finais felizes absurdos.

4/10

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