Olhos da Justiça

Já faz um bom tempo que ouvimos notícias sobre o remake de O Segredo dos Seus Olhos (2009) e a única pergunta feita era: para que? Somos uma geração acostumada a torcer o nariz para cada produção nova que ameaça o legado da antiga, pois em nossa concepção obras de arte são intocáveis. Ainda que a nova versão do neoclássico de Juan José Campanella tenha sido apadrinhado pelo próprio diretor, só o fato de ser uma produção norte americana já gera motivos o suficiente para um boicote ao filme.

Olhos da Justiça consegue inesperadamente ser uma grata surpresa, pois anda que mesmo assim permaneça inferior ao original, consegue manter uma atmosfera densa e entregar grandes atuações. Na trama: Ray (Chiwetel Ejiofor) e Jess (Julia Roberts) trabalham num escritório em L.A monitorando possíveis ameaças terroristas, além da parceria no escritório Ray e Jess são grandes amigos, e Ray começa a nutrir um amor platônico pela promotora Claire (Nicole Kidman), o que o faz ficar um pouco disperso do trabalho. Durante a investigação de um possível ataque terrorista descobre-se que na verdade se tratou de um assassinato e a vítima é a filha de Jess. Descontente com as ações acobertaria da polícia sobre o caso Ray se afasta de todos e decide investigar o caso por conta próprio. Passados 13 anos ele reaparece com uma pista do paradeiro do assassino o que irá abalar novamente a vida de Jess e de seus companheiros do escritório.

A contida direção de Billy Ray tanto o ajuda quanto atrapalha. Por um lado: temos uma ambientação sufocante muito bem trabalhada chegando a gerar um desconforto. O filme dá saltos temporais entre 2002 e 2015 o que às vezes nos deixa confuso ao se perguntar em que anos eles estão, pois a fotografia e os figurinos parecem não se diferenciar muito. O tom continua o mesmo, talvez seja uma forma do diretor dizer o quanto o tempo parou na vida daquelas pessoas, mas em 13 anos há mais coisas a se modificar além dos objetos. E diante disso a única quem parece ter mudado foi Jess, e inteiramente por mérito da atuação de Julia Roberts que não teve medo de fazer com que seu personagem realmente carregasse a dor de envelhecer tendo perdido sua razão de viver.

Um remake (como a grande maioria) desnecessário, mas que não merece ser hostilizado perde em inúmeros pontos, até mesmo técnico para o argentino que fez um belo plano sequencia num estádio de futebol enquanto o americano se contentou com uma simples decupagem num estádio de baseball. Se há alguma forma de classificar “Olhos da Justiça” é como um filme contido, que não desperdiça seu potencial, mas também não o deixa livre para agir.

5/10

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