American Ultra: Armados e Alucinados

Por Alice Lapertosa

Não é incomum sair do cinema com uma sensação predominante e a cabeça fervilhando de apontamentos e reflexões, seja porque a história é interessante demais, seja porque incomoda o senso crítico. Dessa vez, saí sem saber muito sobre o que pensar. American Ultra é um filme esquisito.

Na trama, Mike (Jesse Eisenberg) passa as horas desenhando atrás do balcão da loja de conveniência onde trabalha. Gasta o tempo livre com baseados e histórias do Macaco Apolo, sempre na companhia de Phoebe (Kristen Stewart). Ele quer pedi-la em casamento no Havaí, mas não consegue embarcar no avião. Através da agente Lasseter (Connie Britton), ele descobre que seus ataques de pânico são resultado de uma experiência controlada, e agora os agentes estão atrás dele para eliminá-lo.

Após o encontro, Mike descobre que consegue lutar e matar pessoas com uma habilidade fora do comum. Com a ajuda de Lasseter, de Phoebe e do seu traficante, ele tenta escapar enquanto os acontecimentos começam a ser explicados.

O que mais funciona no longa é a relação representada por Stewart e Eisenberg: eles são um casal perfeito e problemático, na voz do próprio protagonista. Ela é a parte perfeita e ele, a problemática. O personagem de Mike é um sujeito pra lá de estranho com quem ela divide um dia-a-dia diferente. As cenas dos dois exalam leveza e naturalidade (além de um certo humor ácido). Não há o quê questionar sobre Mike, Phoebe vê suas peculiaridades com um carinho tocante.

O politicamente correto passa longe de American Ultra. Isso é bom. Detalhes excêntricos aparecem nos diálogos e no próprio cenário. Isso também é bom. O que incomoda é a incongruência total que impera depois que a Agência entra na trama. Seus membros parecem operar sozinhos em salas e corredores grandes e vazios. Não há ninguém lá quando as decisões são tomadas, os agentes parecem fantoches soltos na trama. O filme se transforma numa seqüência de cenas de ação cujas motivações e conseqüências são inverossímeis.

American Ultra passa longe do convencionalismo, mas erra por quilômetros de distância ao não desenvolver todo seu potencial.

6/10

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s