#garotas

Por Alice Lapertosa

Beth (Giovana Echeverria) acorda de ressaca com a cara enfiada na areia do lado de fora de uma barraca na praia, sem saber direito o que aconteceu. Logo, Milena (Barbara França) e Carina (Jeyce Valente) acordam e saem para resgatá-la em meio a risadas e muita zoação. As três dividem, com bom humor, uma relação intensa e regada à baladas, drogas, álcool e sexo. Beth está aborrecida porque a família vai morar no exterior. Mesmo contrariada, ela se separa das amigas e retorna um ano depois.

Milena e Carina não sabem o que fazer, Beth voltou diferente: mais séria, parou de beber e não tem mais a mesma disposição para sair. Quando ela recusa um convite no reveion, as duas tentam amenizar a estranheza e levam a festa até a casa de Beth. A maior parte de “#Garotas” se passa nessa festa de ricos esbanjando despreocupação e irresponsabilidade. E é extremamente divertida – até a vizinha juíza se junta à bagunça .

Giovana Echeverria, Barbara França e Jeyce Valente interpretam de forma competente as três garotas próximas que fazem quase tudo juntas, porém, têm personalidades distintas e bem definidas. Milena é a bonitinha descolada que todo mundo quer e não demonstra se importar demais com nada: nem com as notas, com os caras com quem transa ou com os amigos. Já Carina é doce, fala um pouco como mãe tentando apaziguar as situações e é carente ao extremo. Beth tem sempre atitudes que confundem e um olhar vazio, como se estivesse com a mente em outro lugar.

Aos poucos, entendemos que o passado desregulado e a fama que a acompanha incomodam. Tentamos descobrir o quê se passou, o quê afinal foi tão ruim… ela agrediu alguém e foi presa? Pôs fogo numa boate?! Como alívio cômico dessa questão constante, além de Milena e Carina – que fazem merda e são hilárias – há a dupla de deslocados vividos por Raphael Logam e Erik Vesch: Matheus é tímido e mal consegue falar perto de mulheres e Bernardo tenta, mas é totalmente desprovido do gene da noção. São caras que a gente encontra pontuados nas festas por aí.

O longa-metragem, que tem roteiro e direção de Alex Medeiros, trabalha conscientemente essa imagem superficial que temos de seus personagens. Os maiores problemas deles são: os pais; o que vestir na noitada; dar um fora no cara chato do lado; se divertir como se não houvesse limites. De repente – e com habilidade – a trama dá um tranco e você pensa “putaqueopariu”. Têm sido raros os filmes atuais que provocam esse tipo de sensação. Conselho: não assista o trailer – que para não entregar a história, entrega uma visão distorcida dela.

9/10

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