Aliança do Crime

Por Alice Lapertosa

Um Johnny Depp maquiado, feições fundas, lentes azuis e careca se destaca em “Aliança do Crime” com uma atuação precisa, simultaneamente fria e nervosa. Depois do longo período de trabalhos fracos vide “Cavaleiro Solitário” o ator interpreta James “Whitey” Bulger – também conhecido como “Jimmy” – líder de uma organização criminosa irlandesa que atua em Boston desde os anos 50. A trama é adaptada do livro de Dick Lehr e Gerard O’Neill e acompanha o mafioso por cerca de três décadas.

Jimmy Bulger foi criado num bairro pobre de Boston junto com o irmão Billy Bulger (Benedict Cumberbatch, de “Sherlock”) – agora senador do estado – e o pequeno John Connolly (Joel Edgerton, de “O Grande Gatsby”), que cresceu e virou agente do FBI. Após cumprir nove anos de prisão, Jimmy volta e encontra a cidade sob grande influência da máfia organizada ítalo-americana. Ele se alia ao FBI através de Connolly e vê-se livre para operar suas atividades ilegais longe do radar das autoridades – que, preocupadas com as informações cedidas, não perceberam a dimensão do poder que Jimmy adquirira.

O longa-metragem segue todos os clichês do gênero: apresenta seus personagens ao público de modo a causar a reação de amor e ódio construída entre crimes hediondos e a humanização dos mafiosos: cresceram nas ruas expostos à violência anterior a eles próprios, se preocupam com as famílias e sofrem conflitos de orientação entre a lei oficial e os rígidos padrões de interdependência e lealdade entre os membros das gangues. O próprio Jimmy, apesar de considerar sua relação com o FBI como uma “aliança”,  ironicamente reagia paranóico e violento ao menor sinal de uma traição – em termos práticos, era ele mesmo um informante.

Não apenas Johnny Depp, mas todo o elenco de “Aliança do Crime” está muito bem: as atuações de Joel Edgerton e Benedict Cumberbatch, além de Dakota Johnson (“50 Tons de Cinza”) que surpreende nos poucos momentos em que aparece como a esposa do gângster. Já roteiro e direção não trazem inovação nem diferencial algum, não saem do lugar comum nem exploram com profundidade as relações potencialmente interessantes dos fatos reais (Benedict Cumberbatch está praticamente desperdiçado como irmão senador de um criminoso procurado) e o resultado é um filme comum de gângster sustentado por seu elenco de peso. Não fosse isso, passaria despercebido.

6/10

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