A Travessia

Por Alice Lapertosa

Paris, final da década de 60. Um jovem acrobata vê um artigo sobre a construção das Torres Gêmeas do World Trade Center. Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt) fica fascinado com a idéia de atravessar o espaço entre elas equilibrando-se em cabos de aço; sem rede, sem corda de segurança. São mais de 400 metros do chão. A história é baseada no episódio real ocorrido em 1974.

Philippe escreveu um livro relatando a experiência – que foi adaptada em “O Equilibrista”, de 2006, documentário vencedor do Oscar na categoria. Em 2015, “A Travessia” retorna ao caso para nos contar como um jovem de 24 anos, contando apenas com força de vontade e a ajuda dos amigos e da namorada Annie (Charlotte Le Bon) conseguiu entrar nas torres em fase final de construção, subir os andares interditados sem ser pego, instalar os cabos no terraço durante a madrugada e, finalmente, ao amanhecer, permanecer em cima deles com nada entre ele e o chão por cerca de uma hora.

Nova York acordou no dia 7 de agosto com essa excêntrica apresentação. Estava nublado, as torres muito altas, não dava pra ver direito. Alguém gritou que havia um equilibrista lá em cima. Binóculos, fotos, um helicóptero. A polícia pede que ele pare. Philippe simplesmente dá as costas e continua sua performance. Ele reclama, ao ser preso, que as pessoas perguntavam sempre “por quê”, uma mania dos americanos. Não há porquê, ele viu as torres, se apaixonou, era um equilibrista, então precisava pendurar seus cabos ali. Ah, os franceses, seus crimes passionais e suas contravenções artísticas.

O longa-metragem dirigido por Robert Zemeckis (“De Volta para o Futuro”, “O Náufrago” e “Forrest Gump”) é cheio de gracejos: tudo começa na fila do dentista, quando Philippe espirra e arranca a página da revista, fugindo em seguida. A dor de dente permaneceu, mas valeu a pena. O homem do elevador que não é capaz de notá-los e segue repetindo feito um relógio:”tanto faz, só tome cuidado com as mãos.” O companheirismo dos amigos é encantador, assim como a teimosia do sonho quase surreal de Philippe.

Algumas cenas foram romantizadas, a exemplo do primeiro encontro de Philippe e Annie – mas em geral tanto ficção quanto documentário mantém a atmosfera teatral. Não se sabe quanto foi aumentado, rebuscado, embelezado, afinal, eles são essas personalidades caricatas realizando mais uma apresentação. Será que Philippe realmente se despiu e saiu em busca da flecha, que balançava, frágil, quase caindo da torre? Em certo ponto pouco importa, eles são muito carismáticos.

O único (grande) incômodo de “A Travessia” é que a história se arrasta em muitos momentos, o foco é a aventura do equilibrista, pouco se sabe dos outros personagens ou do próprio Philippe uma vez que decidem pôr em prática o plano. Uma hora e meia é demais para contar um caso, por melhor que ele seja.

6/10

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