Horas de Desespero

Por Alice Lapertosa

Após a falência de sua empresa, Jack Dwyer (Owen Wilson, de “Meia-noite em Paris” e “Penetras Bons de Bico”) aceita um novo emprego no Leste Asiático. Ele, a esposa Annie (Lake Bell) e as duas filhas pequenas se mudam provisoriamente para um hotel, mas antes mesmo que pudessem desfazer as malas da viagem, é deflagrado um golpe de Estado.

A T.V. não funciona. O telefone está mudo. Chegaram no “quarto mundo”, ironiza Annie, enquanto Jack vai averiguar a situação. Nenhum telefonema de sua nova empresa. No dia seguinte, ele resolve dar uma caminhada enquanto aguarda a situação se normalizar. À procura de algum jornal americano (acha um de 3 dias atrás), sai da banca e se depara com um grupo armado que avança de um lado da rua enquanto a polícia se aproxima pelo outro. Em meio a tiros, pedradas e gente desesperada correndo pra todos os lados, tenta retornar ao hotel, até que presencia a execução de um americano e percebe que eles são o alvo.

Os manifestantes, armados até os dentes, protestam porque países estrangeiros construíram usinas e estradas, beneficiaram melhorias e foram cobrá-las. Como o povo não pôde pagar, o país agora se encontra na mão dessas multinacionais. Todos os estrangeiros estão sendo assassinados. Depois de procurarem refúgio na Embaixada Americana e perceberem que tudo foi atacado, eles precisam cruzar a fronteira com o Vietnã. A família inicia uma fuga desesperada para sobreviver e conta com a ajuda de Hammond (Pierce  Brosnan, conhecido por seus papéis como agente 007), um estrangeiro cheio cheio de cicatrizes que aparenta estar no país para beber e visitar os puteiros mas mostra-se essencial quando a situação fica séria.

Brosnan está fantástico como o estranho Hammond, além de formar uma dupla engraçadíssima com Sahajak Boonthanakit (que interpreta um local de nome impronunciável que prefere ser chamado de Kenny Rogers, por sua óbvia não similaridade com o cantor texano). As duas garotinhas que fazem as filhas do casal Dwyer também têm excelente atuação. O diretor John Erick Dowdle (“Extermínio”) acerta a mão no ritmo, que vai se esticando lentamente até tensionar. Depois afrouxa, tenciona novamente e equilibra situações de nervosismo extremo com desaceleradas e alívios momentâneos.

Excêntrico em seus detalhes, “Horas de Desespero” é sucinto no que se propõe: um longa-metragem de perseguição e fuga, cheio de situações tensas e respiros por vezes até cômicos nas horas certas. Não gasta tempo com muitas explicações, não insiste em nenhuma questão contextual. Apenas conta sua história.

7/10

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s