Evereste

Por Alice Lapertosa

O Monte Everest – situado na cordilheira Himalaia, entre Tibet e Nepal – é a montanha mais alta da Terra com cerca de 8850 metros de altitude, neve eterna, ventos de mais de 300km/h e temperaturas negativas que nenhum condicionamento humano é capaz de suportar. Desde que foi escalado pela primeira vez em 1953, diversos turistas visitam o local anualmente – e alpinistas arriscam suas vidas tentando chegar ao cume.

Jason Clarke (“Planeta dos Macacos: o confronto”) interpreta Rob Hall, líder de uma dessas expedições cujo objetivo é levar o maior número de clientes ao topo do Everest e trazê-los de volta com vida. Outro grupo liderado por Scott Fischer (Jake Gyllenhaal) decide se unir a eles e subir no mesmo dia, porém uma enorme tempestade surge enquanto o grupo escala. Alguns sentem o cansaço físico e a falta de oxigênio e decidem retornar, outros insistem. Ao concordar em levar o teimoso Beck Weathers (Josh Brolin) ao topo mesmo não sendo mais prudente, Rob coloca a vida de ambos em perigo, além da dos que tentaram ajudá-los.

O roteiro é baseado no desastre de 1996, quando 19 pessoas morreram tentando chegar ao cume do Everest. O fato foi relatado em diversas obras, inclusive no livro “No Ar Rarefeito”, de Jon Krakauer (autor do livro “Na Natureza Selvagem”, também com versão cinematográfica), que fez parte da expedição e sobreviveu. A direção fica a cargo de Baltasar Kormákur (“Dose Dupla”), e a trilha sonora é composta por Dario Marianelli (“Desejo e Reparação” e “Anna Karenina”).

Inúmeras questões são colocadas ao longo da trama: logo no início, o grupo que chega ao acampamento de base discute razões para estarem arriscando as próprias vidas dessa forma. Yasuko Namba (Naoko Mori) quer “conquistar” os sete cumes, o quê significa escalar as conhecidas sete montanhas mais altas de cada continente. O resto deles, apesar de terem pago caro – o filme deixa claro que escalar não é lá um hobbie muito barato (ou seguro) – não têm muita segurança do porquê vieram. À medida em que a história se desenvolve, os personagens se questionam se estão prontos, se deveriam mesmo estar ali.

Infelizmente, nenhum desses questionamentos é bem desenvolvido e, tão logo aparecem, se perdem nos cortes rápidos que nada têm a dizer. Os personagens, debaixo de quilos de roupas protetoras, parecem quase totalmente os mesmos. São insípidos, com personalidades medíocres e pessimamente exploradas. Nem mesmo o elenco de grandes nomes consegue salvar o longa-metragem.

Jake Gyllenhall tenta, com sua breve e excêntrica atuação. Assim como Keira Knightley, Emily Watson e Robin Wright. Mas a câmera e o roteiro não deixam espaço, insistindo em ignorar os vestígios de humanidade em detrimento da situação catastrófica que se torna, então, irrelevante. Assim como o melodrama do final. Como se importar com a morte ou sobrevivência de personagens com os quais nem ao menos nos identificamos?

4/10

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