A Esperança é a Última que Morre

Por Alice Lapertosa

A história se passa na pacata cidadezinha de Nova Brasília, que de tão pacata chega a ser entediante. A repórter Hortência (Dani Calabresa) não tem muito o que fazer e seu trabalho é cobrir pautas tão empolgantes como a feira dos biscoitos para a emissora local MBTV. Menos trabalho ainda tem a polícia, que para agilizar as ocorrências (já que todas as mortes são naturais mesmo) encaminha as ligações direto para o celular dos legistas do IML.

Quando surge uma vaga para âncora do jornal, Hortência precisa vencer a bem-sucedida (e admirada, melhor vestida e maquiada) Vanessa (Katiuscia Canoro), sua colega de trabalho e principal candidata à vaga. Ganha a competição quem trouxer a melhor matéria e fizer subir a audiência do canal. Hortência conta com a ajuda dos amigos Eric (Danton Mello) e do esquisito e eficiente Ramon (Rodrigo Sant’anna). Juntos, os três começam a forjar assassinatos pela cidade, afim de encerrar a fama de mais segura do mundo e render reportagens em primeira mão.

“A Esperança é a Última que Morre” brinca com o papel dos policiais e políticos, grandessíssimos incompetentes com talento para falar muito sobre nada e fazer inutilidades abissais, sempre acompanhados por seus úteis assistentes que querem realizar alguma coisa mas se sentem travados pela estrutura. Fala sobre a encheção de lingüiça dos repórteres e da ainda menos útil opinião popular. A comédia, se bem aproveitada, sempre foi um excelente palco para a crítica, e o longa-metragem dirigido por Calvito Leal soube aproveitar a deixa.

Quanto ao elenco, Rodrigo Sant’anna está muito bem. Já Dani Calabresa, apesar das expressões faciais engraçadas tem uma atuação regular, nada que chame atenção, assim como Danton Mello. A fotografia e a montagem seguem a mesma linha do aceitável, com algumas exceções negativas: muitos closes, alguns sem nada o que mostrar; cortes rápidos demais, mesclados à excessiva movimentação da câmera em cenas paradas; vários planos do mesmo conjunto aparentemente sem sentido algum; e um arco-íris feioso fazendo sabe-se-lá-o-quê na transição entre duas cenas.

Ainda assim, o grande incômodo do filme são as tropeçadas do roteiro. Com um argumento interessante, bons figurinos e direção de arte, boas piadas e mortes bizarramente engraçadas, “A Esperança é a Última que Morre” tinha os elementos certos para ser diferente, mas optou pela mesmice. Hortência é a mocinha que tem uma vida de merda mas mesmo assim reluta enfaticamente em trapacear para mudá-la, enquanto Vanessa é a vilã-perua-da-novela que vai até a mesa da outra dizer o quanto ela nunca poderá ganhar. Eric é o bobão apaixonado pela personagem principal, e ambos são empurrados para um ou dois minutos de romance forçado que não tinha espaço na trama mas aconteceu porque é de praxe. E o final, fraco e moralizador, não passa conexão alguma com o humor anterior.

6/10

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