O Pequeno Príncipe

Por Alice Lapertosa

Em 1943 foi publicado “O Pequeno Príncipe”, escrito e ilustrado por Antoine de Saint-Exupéry, um piloto francês que morreu em 1944 lutando ao lado dos Aliados na II Guerra. O livro trata, através de metáforas, de questões delicadas da natureza humana – tais como solidão, amor e perda- e tornou-se mundialmente famoso. Após ser adaptado para um musical e uma série de desenhos animados, o diretor Mark Osborne (Kung Fu Panda) traz às telas do cinema uma versão animada em 3D.

Somos apresentados a uma garotinha de nove anos e sua mãe supercontroladora. Ao falhar no teste de admissão da Academia Werth, ambas mudam-se para uma casa na vizinhança – o plano B – assim, a escola terá que aceitar a menina, que já tem cada minuto da vida planejado pela mãe e representado num quadro de horários hilário que não deixa espaço para nada. Até comer está dentro do planejamento para que a garota se torne uma “adulta maravilhosa”.

Conformada e obediente, a garotinha tenta corresponder às expectativas da mãe e passa seus dias estudando na casa cinzenta, geométrica e insípida. Até que uma hélice de avião escapa e quebra o muro e a parede da sala. A garotinha conhece seu vizinho, um velhinho aviador cuja casa parece um amontoado vivo de tralhas coloridas. No início um pouco relutante, ela vai se aproximando do velho, que irá lhe contar sobre o Pequeno Príncipe – um garotinho que encontrou perdido no deserto há muitos anos atrás.

A garotinha vai se desligando de sua antiga rotina paralelamente à evolução da história do Príncipe, até o momento em que se encontram:já crescido, ele é abordado por ela no mundo “real”. A crítica velada à falta de imaginação e espaço para o acaso torna-se mais literal e menos interessante.

A escolha de diferenciar as duas histórias visualmente usando técnicas distintas teve resultado muito interessante. O mundo da garotinha com olhos enormes e o dentinho torto é apresentado em animação digital, enquanto a história contada pelo velho é feita em stop motion. Visualmente, a interação dos dois mundos não deixa nada a desejar. Porém, é no mesmo processo que a fluidez da narrativa é prejudicada.

Há uma falta de sintonia entre a divertida história da garotinha e as cenas do Pequeno Príncipe. Tecnicamente muito bem feitas e atraentes, tais cenas incomodam um pouco por parecerem jogadas, uma série de homenagens a momentos importantes do livro sintetizados nas frases de maior efeito. Mais forte que a narrativa, a força do longa-metragem está mesmo em sua estética bonita e delicada.

6/10

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