Crimes Ocultos

Por Alice Lapertosa

Leo Demidov é um agente da MGB (Agência de Inteligência Soviética durante o período do governo Stalin) que se depara com a morte mal explicada do filho de seu colega Alexei. O governo diz que foi acidente, porém a autópsia e uma testemunha parecem mostrar o contrário. Em meio à ameaça da própria Agência – que insiste no esquecimento do caso (“Não existem crimes no Paraíso”, “Assassinato é uma doença específica do capitalismo”) e a denúncia de que uma das pessoas próximas de Leo seria na verdade um espião do ocidente, Leo decide investigar a morte, que revela-se não o primeiro, mas um dos muitos “acidentes” ocorridos sob circunstâncias semelhantes.

Dirigido pelo sueco Daniel Espinosa, o roteiro é baseado no romance de ficção “Child 44” (2008), escrito pelo britânico Tom Rob Smith e inspirado na história real do serial killer soviético Andrei Chikatilo. Alguns atores de peso integram o elenco: o papel principal fica com Tom Hardy (“A Origem”, “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, “O Espião que Sabia Demais”); Noomi Rapace (“Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, “Sherlock Holmes: o Jogo de Sombras”) interpreta Raisa, esposa de Leo Demidov; temos ainda Gary Oldman como o General Mikhail Nesterov.

Apesar de seu argumento, “Crimes Ocultos” não é um filme de investigação tradicional. Os assassinatos são deixados em segundo plano em grande parte da história, preenchida por seus personagens fortes, frios, sobreviventes no regime Stalinista pós-guerra. As emoções são silenciosas, traduzidas pelos olhares de Raisa, pelo olhar de um maquinista do trem. Lentamente, antecedem as situações, enquanto são simultaneamente causadas por elas.

É um filme de atmosfera pesada, detalhes mal explicados e situações que causam sensação de estranheza. Nada disso o atrapalha, pelo contrário. Tais elementos parecem combinar com uma época e lugar dos quais a maioria de nós só ouviu falar sobre. Preenchem, também, os espaços ao redor das críticas veladas. Põe-se em discussão as conseqüências da guerra, as diferenças individuais ante a premissa de um governo que pretendeu planificar a natureza humana; a sociedade que vive sob tal ambiente de constante dureza, inquietação e violência. Explora as crianças (muito presentes em toda a história) que sobreviveram nesse contexto, os adultos que se tornaram e, principalmente, as decisões que tomaram para sobreviver.

O longa peca por algumas cenas mal desenvolvidas – já na de abertura, quando Leo recebe seu novo nome, o espectador poderia pular tranquilamente tal parte sem perder nenhuma carga dramática ou informação importante. O embate final também deixa a desejar. Ainda assim, não incomoda a ponto de tirar o brilho de um filme positivamente diferente.

8/10

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