Velozes e Furiosos 7


Por Alice Lapertosa

“Velozes e Furiosos 7” começa cheio de referências aos anteriores da franquia. Brian O’Conner (Paul Walker) tenta se adaptar à nova vida familiar com sua esposa Mia (Jordana Brewster) e o filho; Dominic Toretto (Vin Diesel) tenta ajudar Letty (Michelle Rodriguez) a recuperar a memória perdida após a tentativa de assassinato (“Velozes e Furiosos 4”, 2009). Eles são perturbados por Deckard Shaw (Jason Statham), que pretende vingar a morte do irmão Owen Shaw (Luke Evans, de “Velozes e Furiosos 6”, 2013). Após uma rápida visita ao agente Hobbs (Dwayne Johnson, de “Velozes e Furiosos 5: operação Rio”, 2011 e “Velozes e Furiosos 6”, 2013), Dominic passa pelo japão – cenário do terceiro filme (“Velozes e Furiosos: desafio em Tóquio”, 2006), depois viaja pelo mundo com sua equipe formada para resgatar a hacker Ramsey (Nathalie Emmanuel), única que sabe onde encontrar um programa que consegue acessar as informações de quaisquer dispositivos digitais e localizar Deckard.

O acidente de carro que causou a morte repentina de Paul Walker aconteceu quando o autor tinha filmado apens cerca de metade de suas cenas. Para dar prosseguimento, após o atraso e encarecimento do longa, a situação foi magistralmente resolvida com dois dos irmãos de Walker e muita computação gráfica, além do roteiro reescrito e planos não utilizados dos filmes anteriores. O resultado final foi excelente, e é praticamente impossível distinguir quais as cenas realmente gravadas pelo ator.

Apesar de falar menos sobre aspectos técnicos das máquinas e dar pouca (quase nenhuma) atenção às corridas ilegais que definiram o contexto dos primeiros filmes, Velozes e Furiosos 7 possui todos os outros elementos que são marca registrada da franquia: perseguições quase surreais com carros reforçados e modificados para correr, personagens durões, disputas pessoais resolvidas na pancadaria, atividades ilegais, explosões, tiros, festas, mulheres com pouca roupa e frases de efeito. A trilha sonora perde lugar de destaque e meramente preenche espaço vazio.

Com acrobacias absurdas, os personagens sobrevivem quase intactos à queda livre, batidas de frente em alta velocidade, carros capotando e explosões de todo o tipo. Nada disso é novidade, e para acompanhar a trama sem maiores irritações com a inverossimilhança é preciso aceitar que sim, carros podem voar. A interação do grupo na operação de resgate do rastreador aliada às cenas de ação com cortes rápidos e momentos de humor funcionam até certo ponto. O filme diverte em sua primeira hora e meia, quando a correria fica repetitiva e, no lugar de anunciar seu fim, insiste em mostrar mais sequências cansativas. Há tentativas de explorar melhor o emocional dos personagens, as relações que ligam Letty, Dominic, Mia e Brian. Nesse quesito, falham miseravelmente.

As sequências finais quase surpreendem com insinuações inesperadas. Quase, mas o filme resolve seus conflitos de forma inconsistente e desastrosa. Com todo o respeito à morte de Paul Walker, uma franquia de filmes de ação não é lugar apropriado pra fazer tais homenagens cujo motivo atropela a trama e destoa de todo o universo geral da produção. As referências vêm, ainda, descontextualizadas, precedidas por tentativas de rápidos diálogos mais “sensíveis” sobre família, amigos e memória. As cenas são forçadas, e usar imagens de um primeiro filme bem superior a suas continuações talvez não seja uma idéia muito boa, a diferença gritante entre eles fica evidente. Bate saudades de Velozes 1.

5/10

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