Golpe Duplo

Nada é mais atrativo no cinema do que um anti-herói, alguém que pisa nas leis da moral e bons costumes, que não daria a própria vida pra salvar a do próximo e não liga para a gravidade da situação desde que consiga sair dela com algo de valor conquistado. Anti-heróis podem ser tão charmosos quanto depressivos, o custo que a vida lhes pede em troca de sua maneira antissocial de ser. Ser um Anti-herói é algo que ninguém deveria querer, mas se pudessem a tentação seria grande demais.

O golpista Nick (Will Smith) é mestre no que faz e segue o código de conduta dos golpistas de “jamais perder o foco” quando encontra a amadora Jess (Margot Robbie) Nick a torna sua pupila e aos poucos vai deixando seus sentimentos falarem mais alto que seu raciocínio. O que torna seu golpe de mestra: roubar e vender informações sobre um combustível para carros de corrida desenvolvidos pelo milionário Garriga (Rodrigo Santoro).

Dirigido pelos irmãos Glenn Ficarra, John Requa que também assinam o roteiro Golpe Duplo é um envolvente filme com grandes reviravoltas, um elenco bem escolhido e uma visual carregado em cores e brilho. O filme se desenvolve de maneira espetacular, ele nos introduz ao mundo dos golpistas: quem são o que fazem como se alimentam. Andam em bando e seguem regras de convivência, apesar do “trabalho” confiança é fundamental na área. Nick e Jess formam uma boa dupla e o filme brinca o tempo todo com a possibilidade de um estar enganando o outro.

No meio do segundo ato, quando os diretores parecem tentar introduzir os elementos centrais da trama, comete o erro básico de perder seu foco. De um filme de golpe, ele passa a se tornar uma disputa entre gato e rato em busca de um queijo. Se de início tivemos um básico resumo das mil e uma maneiras de ser um golpista, no segundo ato ele se perde em tentar mostrar as intenções de Nick e suas maneiras de conseguir o prêmio, revelando tudo num diálogo inútil que não convence nem os diretores. Golpe Duplo tinha ótimas chances de se igualar a clássicos como (Nove Rainhas, 2001) (Golpe de Mestre, 1973) e (Onze Homens e Um Segredo, 2001) onde a revelação final deixavam todos boquiabertos por não enxergar o que estava na cara, Golpe Duplo nos engana fazendo achar que participaríamos como cúmplices do grande roubo, mas ao final ele nos deixa de fora e entrega um resumo com início sem meio e um fim preguiçoso.

6/10

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