50 Tons de Cinza

Já começo dizendo que não li o livro por ler críticas bem negativas à trama, mas não imaginei que sairia tão decepcionada do cinema.

Apesar de ter uma fotografia muito bonita, o filme que tem como protagonistas Christian Grey (Jamie Dornan) e Anastasia Steele (Dakota Johnson), deixa bastante a desejar. São duas horas inteiras de um jogo de sedução que me deixou seriamente incomodada. O protagonista é um bonitão que curte BDSM e além disso é um milionário. Talvez seja esse detalhe que não faça Ana sair correndo ao primeiro sinal de bizarrice em relacionamentos que Christian apresenta, ao sugerir um contrato de confidencialidade entre os dois para que haja algum tipo de relação. Só eu achei a relação abusiva? Só eu fiquei com um alarme na cabeça toda hora que ele claramente a stalkeava e exigia coisas sem muita explicação, dando uma de “porque eu quis” versão gringa e bonitona?

Não tenho absolutamente nada contra quem curte BDSM, fui ao cinema justamente pelo filme ter essa pegada. A minha preocupação é a reação do público a isso e se vai rolar uma epidemia de homens dando uma de Sr. Grey querendo mandar e desmandar em moças desavisadas, sem nenhuma relação com o mundo BDSM. Fiquei o filme inteiro pensando no quão clichê o filme caiu: a virgem encantada e (por algum motivo) encantadora para um homem que pode praticamente tudo, caindo de amores ao entrar num mundo desconhecido e cheio de pequenos e grandes luxos.

As atuações estão ok, cumprindo bem a proposta arroz com feijão. Anastasia é aquele clichezão de adulta virgem, convencendo o expectador da sua inocência e curiosidade. É aquela personagem inocente que faz Literatura, nunca transou na vida, tem grandes olhos azuis e um cabelo quase sempre desarrumado. Nada além do esperado: auto estima lixo aliada a uma inocência muito forçada – claro que ela ia cair nas garras do bonitão excêntrico.

Em algum momento do filme eu quis gritar para pararem de explorar a mordida no lábio da personagem, mas isso se perdeu quando vi que o filme não ia chegar em lugar nenhum.

As cenas de sexo foram bem feitas, mas podiam ser bem melhores e muito mais reais. Ficaram bem estilo filminho de fim de semana, é um sexo muito limpo e pouco convincente. Realmente quero saber como é o Christian do livro, porque no filme ele não tem absolutamente nenhuma aparência ou gesto real de um dominador – além das mil exigências contratuais (!!) que banalizam a violência a mulher de forma bem óbvia. As palmadas que ele dá em sua companheira não convencem, é uma versão do Sr. Grey tão cheia de pudor que chega a dar nos nervos! Ele podia aparecer com menos roupa, mas ele só aparece sem camisa e de calça o tempo todo. A cena dele tocando piano a noite chega a ser cômica, afinal, até o multimilionário que manteve mais de 15 mulheres em seu apartamento para seu bel prazer, tem problemas.

A trama fica muito lenta e com cenas muito longas, chega a dar vontade de de sair correndo do cinema se perguntando por que trabalharam num roteiro tão fraco. Tinha potencial pra ser trabalhado um outro lado dos personagens e do sadomaquismo, até mesmo um lado mais cômico. Mas a linha do filme é passar pelos clichês de forma impecável: o objeto de desejo que é uma mistura de Batman e Willie Wonka e a mulher com adolescência tardia que se encanta por um mundo desconhecido, ao ser destaque no meio da multidão por algum motivo que nós, expectadores, não entendemos.

Fiquei curiosa em relação ao final alternativo que provavelmente sairá nos dvds. Porque eu saí do cinema xingando bastante com a sensação de ter ficado horas no cinema para não chegar a lugar algum.
A trilha sonora é bem interessante, em certo momento eu estava ouvindo a versão de Crazy in Love da Beyoncé! Eu faço questão de elogiar porque eu estava procurando algo pra gostar no filme, e foi o mais próximo que encontrei. Vale ressaltar que é uma trilha bem digna de uma comédia romântica, já aviso!
Uma pena o filme ter tomado esse rumo, mas certamente será um sucesso pelo clichê e pelas expectativas em cima dele. Se eu fosse diretora do filme teria filmado em Preto e Branco pra dar uma trollada básica, pra pelo menos uma sacada ser genial. Mas não foi dessa vez!

5/10

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