Corações de Ferro

A brutal situação de medo e desesperança vivida por soldados durante a guerra é tema constante de diversas produções cinematográficas, a maioria delas – mesmo as que envolvem um singular grupo de soldados individualizam seu foco, cada qual é mostrado como uma peça de um jogo de tabuleiro: possui sua função específica, caso seja sacrificado pode ter seu lugar substituído por outra peça do jogo. O diretor David Ayer Dia de Treinamento (2001) foca em apresentar um grupo que na verdade parece uma pessoa apenas, uma única peça – e talvez a central do jogo de tabuleiro.

Corações de Ferro foi escrito e dirigido por David Ayer, que não por acaso, sempre esteve envolvido em tramas que colocam em questão a amizade e família. “Fury” é como foi batizado o blindado de guerra comandado por Don ‘Wardaddy’ Collier (Brad Pitt) e sua tripulação Boyd ‘Bible’ Swan (Shia LaBeouf) Trini ‘Gordo’ Garcia (Michael Peña) Grady ‘Coon-Ass’ Travis (Jon Bernthal) e Norman Ellison (Logan Lerman) todos à bordo do tanque em direção as últimas cidades ocupadas pelos nazistas. Norman é o mais novo tripulante, por isso ainda desperta a fúria dos outros integrantes pelo fato de estar substituindo um dos companheiros do grupo morto. Toda a carnificina da guerra é demais para Norman que foi treinado para ser datilógrafo e agora é o encarregado de disparar projéteis nos inimigos. Cabe à equipe de Don transformar Norman num soldado apto para fazer parte do esquadrão Fury.

Com um magnífico primeiro ato, Corações de Ferro começa a convencer de que não é um filme comum sobre guerra, e sim sobre os soldados nela, com um mínimo combate, uma fotografia que preza por planos gerais e cercados em nevoa, lembrando bastante os planos de Tarkovsky, Fury passeia pelo campo enquanto os corpos empilhados parecem apenas uma lembrança ruim que já fora há tempos. Mas ao chegar ao quartel general, percebem que aquilo foi apenas um breve intervalo.

A trupe a bordo do Fury é mostrada de forma claustrofóbica diante do microespaço do tanque, às vezes tendo que dividi-lo com restos mortais de alguma vítima. Ayer Tenta mostrá-los como peças de uma única pessoa, em conflito consigo mesmo, entre a razão a loucura, a fé a liderança e o medo. Mas Norman é uma peça encaixável, então cabe aos soldados transformá-lo em uma. E a partir daí o filme desanda.

A trama começa a adentrar entre os clichês de guerra mostrando os soldados como heróis e compreensíveis demais com o inimigo, todo um discurso de patriotismo para que suas ações sejam justificadas, um amor perdido e um personagem que mude suas características para que a motivação do outro se torne a favor deles.

6/10

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