A Entrevista

A mais recente parceria entre Seth Rogen e James Franco aliados ao diretor e produtor Evan Goldberg talvez tenha rendido seu fruto mais amargo. Tentando passar despercebido e nem tanto ameaçador como Team America – Detonando o Mundo (2004) A Entrevista acabou gerando uma das maiores polêmicas cinematográficas, e dessa vez não por culpa de gênios como Chaplin que já parodiou Adolf Hitler em O Grande Ditador (1940), ou como Trey Parker e Matt Stone famosos de longa data por seu humor escrachado e escatológico. Evan Goldberg e Seth Rogen miraram em um alvo muito alto para sua baixa pontaria, e o que era para ser só mais uma típica comédia pastelão acabou gerando uma situação de proporções desastrosas.

Começando muito com um primeiro plano focado no rosto de uma garotinha coreana enquanto ela canta cantando um hino representando o sentimentalismo pelo povo americano, e conforme a câmera se afasta surge o cenário: um pequeno palco com um público cativo e ao fundo uma explosão. Temos então toda a informação necessária sobre a representação da Coréia do Norte. Dave Skylark (James Franco) e Aaron Rapaport (Seth Rogen) são as mentes pro trás do famoso programa “Skylark Tonight” (uma espécie de Superpop) e descobrem que o ditador (Kim Jong-um) Randall Park é um grande fã do programa, por intermédio do FBI, eles recebem a missão de assassinar o presidente enquanto estiverem como convidados do mesmo para a entrevista.

Longe de ser merecedor de toda a polêmica que o envolveu “A Entrevista” soa mais como uma brincadeira de criança de mau gosto, que foi descoberta pelos pais que diante da fúria, tomaram medidas drásticas e infantis sem ao menos se dar a chance de ouvir qualquer defesa. O filme em nenhum momento agride diretamente o ditador fazendo de sua figura o monstro que a mídia exibe. E quando faz piada com estilo de vida dos norte-coreanos é satirizado em conjunto com estilo de vida dos americanos – onde ser obeso significa saúde e ostentação um estilo de vida. Até mesmo durante o momento da entrevista, há um debate de réplicas e tréplicas expondo à sujeira de ambas as nações.

O filme merece seus méritos não pela dupla James e Seth, mas por todo o elenco oriental, principalmente Randall Park e sua transformação de Kim Jong-um que consegue segurar bem os momentos dramáticos necessários com seu olhar satírico de lado. Rogen e Franco mantém os mesmos papéis adquiridos em Segurando as Pontas (2008) – dois idiotas tentando se livrar de uma situação muito maior que eles, o que acabou se tornando realidade.

Goldberg não adiciona nada demais além do que outros filmes já fizeram: o culto pela cultura norte-americana, suas músicas, suas farras o dinheiro. E como dois idiotas podem ter a mesma sorte que qualquer outro em condições mais favoráveis. E não poderia ser mais ridículo e engraçado do ambos os “heróis” responsáveis por uma nova era na Coréia, juntos num pequeno bote, agarrados a um cachorrinho ao som de “Winges of change” do Scorpions.

7/10

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