A Teoria de Tudo

por Fábio de Carvalho P.

Quando se entra em uma sala de cinema para assistir à biografia de Stephen Hawking, muito passa pela mente. A temporada de Oscars do cinema americano é notória por sua avalanche de filmes mornos e pré-fabricados que levam a arte cinematográfica a atrofiar. Importar, ou não, com o homem Stephen Hawking é de pouquíssima importância para a apreciação do filme, visto que estamos mais vendo um conjunto de elementos familiares do cinema acadêmico (histórias de superação, sentimentalismo, fotografia estéril) do que a história de um indivíduo único na história da humanidade. Tudo me parece conduzido para uma experiência oposta à tudo que eu busco de uma bela obra. Ao me iniciar na crítica cinematográfica me interessava o formato ensaístico, em que a crítica em si assume um papel de processo criativo, artístico, através de paralelos da obra com o resto do mundo cultural, mas me parece que um filme como A Teoria de Tudo não permite esse tipo de exercício. É uma obra que aparenta ser vibrante, pela força de sua personagem principal, mas que apresenta a típica aspiração do cinema hollywoodiano em emocionar a plateia através de suspiros agridoces.

E eis que os esforços da personagem são mostrados. As partes “feias” da doença de Stephen Hawking são expostas, o ator se dedica ao seu ofício. O humor do filme é leve e o drama também. Algumas coisas são realizadas, outras nem tanto. A Teoria de Tudo me parece um filme incompleto, que aparenta uma bela resolução, mas cuja mensagem é no mínimo ridícula. Me esforço nesse momento para analisar o filme que É, e não o filme que DEVERIA SER. Transformar a vida de Hawking em um drama no estilo americano, com uma pitada de humor britânico é possivelmente o caminho mais óbvio que poderia ser seguido. Uma história de tanta inspiração conduzida de maneira tão calhorda. Realizada para agradar todos os gostos, todos os olhos, sem coragem. Um filme sem personalidade.

Eddie Redmayne é certamente o grande trunfo do filme. Sua atuação é repleta de nuance e seus esforços físicos na representação de Stephen Hawking são admiráveis. Dos olhares tímidos até o humor perspicaz o ator realiza um exercício memorável, sem sombra de dúvida o mais notável de sua ainda curta carreira. Felicity Jones interpreta talvez o ponto verdadeiramente interessante do filme, e sua performance é convincente, mas não tão visceral quanto deveria ser. De resto, as atuações não são de forma alguma memoráveis, mas não necessariamente ruins visto que cumprem sua finalidade dentro do filme, essa sim uma finalidade medíocre. A ideia de um filme focado na vida de Stephen Hawking me parece uma bela homenagem na teoria, mas em ação é extremamente sem vida.

4/10

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