Livre

Quando os erros cometidos na vida resolvem povoar a cabeça impedindo o raciocínio e o convívio social, uma caminhada solitária para por as coisas em ordem é sempre recomendado. Para Cheryl (Reese Witherspoon) é necessário uma trilha maior para recuperar sua autoconfiança. Diferente de Alexander Supertramp, que buscava entrar em contato com seu lado animal, Cheryl busca o caminho para se encontrar como ser humano, e para isso, testar seus limites de sobrevivência é fundamental.

Baseado na autobiografia de Cheryl Strayad “Wild” mostra a incessante busca pelo perdão e o amadurecimento. Após levar uma vida libertina e estragar qualquer tipo de relacionamento, Cheryl resolve encarar o desafio de percorrer uma das trilhas mais perigosas do EUA, atravessar a fronteira do México ao Canadá (Pacific Crest Trail) expurgando seus medos e entrando e encarando suas decisões passadas.

Com direção de Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas, 2013) Livre, é contado de forma fragmentada, mesclando a caminhada de Cheryl no presente, como seu passado conturbado, impossível não comparar com (Na Natureza Selvagem, 2007) pois ambos dialogam com a mesma temática, além da montagem e narração em off. Diferente da direção de Sean Penn, que busca muito mais o visual engrandecedor das paisagens por onde Alex passava, Jean-Marc mantém a atenção em Cheryl e no seu passado, tentando introduzir de maneira quase forçada os problemas da protagonista para que sua decisão em fazer a trilha seja justificada, resultando em diversos problemas de montagem e ritmo. Cheryl passa por vários desafios cruéis, além das dificuldades em estar sozinha na imensidão da natureza, mas tudo parece fácil, rápido e ágil na direção de Jean-Marc.

Toda a carga dramática é focada em Reese que a encara bem, mas não o suficiente para crermos que ela passou por todos os desafios, a trilha sonora por diversas vezes salva os momentos dramáticos falhos, a fotografia convence bastante nos momentos alegres e difíceis que Cheryl enfrentou na vida junto de sua família, mas falha ao mostrar pouco das paisagens que é seu ponto de redenção. Os momentos urbanos engrandecem o filme muito mais que os rurais, é lá que a personagem se perde como pessoa e reencontra sua alma feminina que exala desejo nas pessoas e se sente confortável consigo mesma. A vitória de Cheryl acaba por ser representada por um “espírito da natureza” que concede sua aprovação e retorna ao habitat.

5/10

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