Tim Maia

Baseado no livro “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” de Nelson Motta e adaptado pelas mãos de Mauro Lima chega com anos de atraso uma cinebiografia do cantor que já foi chamado de “a voz do Brasil” e viveu sua fama entre vícios e amores encerrando a carreira da forma que haviam lhe previsto.

E como muito atraso, finalmente a história de Tim Maia vira longa-metragem, inúmeros podem ser os motivos que acarretaram nessa demora, desde a escolha do elenco certo, a produção executiva ou até mesmo o medo de abordar a figura excêntrica com uma carreira tão volátil e um estilo de vida tão acirrado como Sebastião Maia. Voltando a reprisar o papel na fase adolescente de Tim está Robson Nunes, que já o havia feito em 2007 na série global “Por Toda Minha Vida” e na fase adulta pelo excelente Babu Santana.

Crescido no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, tendo como primeiro trabalho ajudar sua mãe na entrega de marmitas, o jovem Sebastião aprendeu cedo que até os que se dizem mais sábios, sérios e devotos são os mais malandros, e assim viveu sua infância sem se importar com o que lhe aconteceria, ganhou gosto pela música e fundou junto com Roberto Carlos (George Sauma) e outros dois amigos o quarteto de nome “The Sputniks” apresentando-se no famoso show de calouros do apresentador Carlos Imperial (Luis Lobianco) o que não durou muito até cada um seguir seu caminho, Roberto para a fama e Tim, direto dos EUA para a cadeia.

Da sarjeta para a fama, Tim subiu graças à ajuda de amigos e o apreço do músico Fábio (Cauã Reymond) gastando sua fortuna em futilidades e agrados para seu ego e para o amor de sua vida Janaína (Aline Moraes). Entre altos e baixos e uma possível iluminação celestial viveu Tim Maia.

O filme, assim como a carreira de Tim segue por altos e baixos, de um lado, o bom desempenho dos atores principais que convencem no personagem, de outro toda a artificialidade dos cenários, das cores e das roupas limpas demais para a vida suja que leva o protagonista. A leveza com que é mostrado seu vicio por substâncias ilícitas, que mais parece uma típica festa na casa de adolescentes americanos. Com um humor “ácido” que funciona apenas graças ao esforço de Babu Santana, o filme termina agradando nos três atos, com os sucessos do cantor usados na edição para pontuar cada fase de sua carreira, até o uso dos lens flaires que dão o tom de época pra obra.

Produzir cinebiografias no Brasil é sempre um problema que começa desde a sua publicação, a pureza que se deve ter ao redor do artista o impede de cometer erros profanos, mas a vida de Tim Maia foi em volta a vícios e virtudes, construiu seu nome por conta de sua loucura, e é uma pena que o filme tenha exibido esse lado louco de Tim, mas de uma maneira televisiva. Sem nos deixar adentrar na vida do cantor e entender seus problemas com as drogas, como muito bem fez Danny Boyle no popular Trainspotting (1996) ou até mesmo em Cazuza: O Tempo Não Pára (2004) de Walter Carvalho, Sandra Werneck que não é o melhor exemplo, mas soube ousar melhor.

Encerrando não de forma trágica como realmente foi à vida do cantor, mas de forma bela, como deve ser para que o espectador chegue em casa e baixe toda sua discografia, amando o cantor e sua vida como um exemplo de luta.

6/10

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s