Livrai-nos do Mal

Exorcismos, demônios e ocultismo serão sempre elementos em alta para se trabalhar: isso porque, apesar dos inúmeros clichês e tentativas frustradas de se manipular essa temática no cinema é um universo – que por sua área ainda tão desconhecida – oferece inúmeras possibilidades de histórias e interpretações do contato direto entre entidades sobrenaturais com humanos. Um prato cheio para qualquer diretor, e Scott Derrickson é um dos que come até cair.

O diretor Scott Derrickson que já vem de uma caminhada de autoaprendizagem pelos caminhos do sobrenatural conseguiu fazer seu nome, principalmente pelos sucessos (O Exorcismo de Emily Rose, 2005) e (A Entidade, 2012) o que parece ter subido sua cabeça e tirado sua concentração do jogo e fazê-lo voltar dez casas atrás cometendo erros antigos e estranhos em Livrai-nos do Mal.

Quando o filme não confia no seu próprio taco, usa o artifício de que foi “baseado em uma história real” ainda que isso não seja o problema, a forma como é inserida no filme – sempre com tela preta no fundo, acompanhado de uma trilha aterrorizante – já adianta o espectador de que ele precisa temer por sua própria vida, já que se ocorreu com pessoas sem ligação alguma com o ocultismo, por que não, com a pessoa que está assistindo?

A trama gira em torno do policial Ralph Sarchie (Eric Bana) que intuição que sempre o leva a ir atrás dos casos mais perigosos. Entre eles, um misterioso caso envolvendo uma mulher que atira o filho na cova dos leões, com a ajuda de um padre de hábitos pouco convencionais Mendonza (Edgar Ramirez), vão atrás da fonte do mal e recuperar a fé perdida de Ralph.

Parece que os elementos foram todos bem posicionados na produção do filme: eles tinham uma história que envolvia ação e contato paranormal, envolvia uma ligação com o público, pois se tratava de alguém afetado pelo stress da vida e a maldade humana, e é claro, o poder da fé prevalecendo sobre mal. Derrickson tinha elementos similares ou melhores para se trabalhar do que em seus outros filmes, até mesmo em conjunto com outros três roteiristas conseguiram criar uma ou três frases que se destacavam dentro do roteiro.

Mas Scott derrapava a cada susto que queria pregar, seja no uso exagerado da fotografia que hora está muito escura e outrora completamente amarelada, que mais parece um erro de balanceamento de cor do que o tom escolhido para introduzir a presença sobrenatural, o diretor usa e abusa do famoso “som” que antecede cada susto, e ainda comete os piores erros de nos presentear com sustos falsos o tempo todo, e o susto real não causar nenhuma reação de pavor sequer. Com destaque para a sequência de abertura que se passa durante a guerra do Iraque e a sequência do exorcismo; Livrai-nos do Mal apresenta uma baixa na direção de Scott Derrickson, ainda que esteja anos a frente de outras produções, depois do ótimo “A Entidade” esperava-se uma evolução gradativa no próximo, que infelizmente decaiu ao ponto de ser só mais um filme de sustos gratuitos e clichês narrativos.

5/10

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