Lucy

O cineasta francês Luc Besson, que apesar dos seus altos e baixos, proporcionou ao cinema grande contribuições, seja como diretor, roteirista, editor, produtor ou até mesmo ator. Responsável por trazer ao mundo uma das maiores assassinas femininas do cinema (Nikita – Criada Para Matar, 1990) e transformar o figurante Jason Statham no herói másculo de ação do cinema por (Carga Explosiva, 2002) Besson teve seu auge na década de 90, quando colocou armas nas delicadas mãos de Natalie Portman, que ainda muito jovem, dividiu o espaço com o ator francês Jean Reno em (O Profissional, 1994) filme pelo qual mais se é lembrado. Após uma série de tentativas de sair de sua zona de conforto –muitas delas fracassadas- Luc Besson retorna com uma obra inspiradora, aos seus moldes lotados de exageros e um visual que ainda remete a década de 90.

É sem explicação alguma que conhecemos Lucy (Scarlett Johansson) não se sabe de onde ela veio quem seria ela e o que estaria fazendo naquele exato lugar e horário, apenas sabemos que: toda sua vida iria mudar em menos de 48 horas. Lucy se vê prisioneira da máfia koreana, liderada por Mr. Jang (Min-sik Choi) que implanta no baixo útero de Lucy, uma poderosa droga a ser transportada para Taipé, na República da China. Um grave acidente acontece e Lucy tem contato com grandes quantidades da droga, o que acabada despertando um imenso potencial cognitivo em seu cérebro, transformando uma garota de inteligência mediana, numa arma sobre-humana.

É certo que o filme sofra com críticas negativas mesmo antes de sua estreia, tudo pelo fato de que é um filme de Luc Besson tentando reviver um mito há tempos refutado, que consiste na capacidade limitada em que o ser humano usa seu cérebro: acreditava-se que usamos apenas 10% de nossa capacidade mental, e que o maior uso disso, seria capaz de provocar habilidades sobre-humanas como: habilidades psíquicas e psicocinéticas e uma hiper-percepção sensorial.

Besson parece não ligar pra esses detalhes, seus personagens nunca foram pessoas ordinárias, que saem de sujos de uma briga, ou deixam suas vidas de lato para se retiver realidade. Esse não é o estilo de Besson, e sua cabeça que ainda vive nos anos 90. Lucy é essa personagem, que vira badass de uma hora pra outra e desfila com duas armas nas mãos, enquanto não precisa fazer nenhum esforço para eliminar seus alvos e quem estiver no caminho. E Besson, é esse cara que não deixa de colocar sua casa – a França- no contexto do filme e adora criar rimas visuais; no caso de Lucy, Luc faz uso da boa e velha “montagem de atrações” criadas pelo cineasta Sergei Eisenstein, que mescla cenas impactantes humanas com cenas animalescas, colocando a selvageria em discussão. Em determinada sequência, os capangas estão indo pegar Lucy, – que veste um casaco falso de pele de onça – e na montagem: a cada vez que os capangas aproximam-se dela, o filme intercala com cenas de um felino indo em busca de sua caça, até capturá-la. Está é Lucy, um lobo na pele de cordeiro, que inicialmente é capturada, mas logo, logo caçaria presa por presa.

Os exageros, e a mensagem surreal ao que o filme se propõe nada mais são do que um realismo fantástico, não por seus elementos mágicos encarados de forma comum, mas pela espera de uma descoberta que transcenda tudo o que conhecemos e leve a humanidade a um passo gigante na evolução.

7/10

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