The Rover – A Caçada

Num futuro pós-apocalíptico, onde a economia global sofreu o pior dos impactos, agarrarar-se as pequenas posses é tudo o que importa para seguir em frente.

O diretor David Michôd parece amar trabalhar com o caos em suas produções, vide seu primeiro sucesso comercial, Animal Kingdon (2010), o curta-metragem Spider (2007), e agora, em The Rover. É no meio do caos que nos damos conta de que nossos maiores problemas tornaram-se mínimos diante da situação atual, e é no caos que a verdadeira natureza humana pode ser despertada, além de novos talentos que antes nem imaginávamos pode ter.

Dez anos após o colapso da economi mundial, nada mais importa. Morrer é apenas uma questão de esperar sentado, ou arriscar-se no meio do deserto. Cenário no qual Eric (Guy Pearce), um homem que não tem nada a perder, arrisca sua vida para resgatar o único bem que lhe resta – seu carro – e é nesse caminho errante que ele encontra Ray (Robert Pattinson) um rapaz com problemas mentais, que é a chave para o paradeiro do carro de Eric, e dos que o roubaram.

O cenário lembra bastante Mad Max: deserto, empoeirado, e os sobreviventes não são nada confiáveis, não há cúpulas do trovão ou um figurino sadomasoquista adaptado para guerra, ao contrário não há rimas visuais das roupas com as personalidades dos que a vestem, não há modificações nos veículos que permitem os saqueadores levar vantagem sobre os pedestres, e não há escravos. O futuro de The Rover é tão caótico que não há ordem nem mesmo diante do caos, onde as poucas mulheres existentes dedicam sua vida a servir ou governar. Nem mesmo a trilha sonora escapa da distopia criada por Michôd, alternado de um eletrônico para o pop e instrumental. Eric e Ray não têm química, não tem diálogo, são duas personalidades totalmente diferentes unidas por um acaso absurdo, mas totalmente crível dentro da situação inserida.

Um road movie incomum, onde não há lições de vida para aprender, os valores sentimentais são supérfluos, agarrar-se a aquilo que você tem é tudo o que resta, e por isso vale a pena morrer.

7/10

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