Transformers: A Era da Extinção

Quando se pensava que finalmente os Autobots teriam paz na terra, eles não contavam com uma ameaça tão impactante quanto os Decepticons: Michael Bay e seu “Bayhem” estão de volta.

Alguns anos após a batalha de Chicago em “Transformers: O Lado Oculto da Lua” os Autobots foram parar na mira do governo, que com a ajuda de um agente da CIA Kelsey Grammer (Harold Attinger) que trabalha secretamente em conjunto com um transformer caçador de espécies alienígena chamado Lockdown, planejam capturar Optimus Prime, em troca de uma poderosa arma que iria engrenar o projeto do cientista Joshua Joyce (Stanley Tucci) qual descobriu uma forma de manejar o metal base para a fabricação de um transformer, e criar sua própria raça com base nos modelos capturados pelos agentes liderados por James Savoy (Titus Welliver). Optimus acaba parando nas mãos do fracassado inventor Cade Yeager (Mark Wahlberg) e de sua filha Tessa (Nicola Peltz) que junto com o namorado Shane Dyson (Jack Reynor) os três viram alvo de uma caçada, e só Optimus Prime e os Autobots podem impedir essa captura, e sua própria extinção.

Não há surpresas narrativas ou técnicas quando se trata de um filme do Michael Bay, há explosões, cortes frenéticos, diálogos expositivos em excesso, câmera lenta: enfim, isso tornou-se tão clichê em suas produções, que ganharam o apelido de “Bayhem” ou, o método Bay de se fazer filmes. Porém, Michael Bay esconde verdadeiras preciosidades de mis-en-scène em suas sequências, técnicas que por mais copiadas, não possuem o mesmo impacto “explosivo” contidas numa singula tomada de qualquer filme do diretor.

Em “Transformers: A Era da Extinção” Michael Bay em conjunto com o roteirista da casa Ehren Kruger, respeitam a mitologia original da série, enquanto deixam de lado qualquer noção de narrativa ou estrutura de roteiro para história. Um absurdo contado em 165 minutos, lotado de situações forçadas, péssimas atuações e um drama que não consegue cativar ninguém. Mas isso pode ser levado em consideração quando temos robôs gigantes estourando seus tímpanos com explosões, tiros, e outros efeitos sonoros em altura máxima. Mas Bay demonstra um incrível talento desconsiderado pela maioria, pelo fato de que seus filmes são praticamente taxados como um desperdício de dinheiro, que gera muito dinheiro.

Essa nova produção de Bay, é um perfeito exemplo para dissecarmos o uso do termo Bayhem. De início, podemos perceber o constante uso do efeito “parallax” uma espécie de panorâmica que consiste num movimento circular da câmera em volta de algum personagem, mostrando um fundo com algum tipo de informação dramática, sejam aviões rasgando o céu, ou no caso de transformers, uma nave gigante. Bay tem um fascínio por câmera baixas, a maioria de seus movimentos, são horizontais. Um vicio que é totalmente perceptível a cada vez que um personagem abre a porta do carro para olhar algum ponto dramático da cena, lá está a câmera abaixo da porta do carro- como chamado no cinema: um plano em contra plongée. Não podemos interpretar bem o “parallax” como um plano técnico cinematográfico, pois ele está mais para uma trucagem: seu principal efeito é dar profundidade de campo para objetos que estão muito próximos, parecerem distantes e em grande escala- técnica também usada por Peter Jackson em “O Hobbit” mas de uma forma diferente e mais cara.

Um fato é que Michael Bay jamais deixa um plano limpo, o máximo de informações que puderem ser adcionadas estarão lá, quando não, é só esperar alguns segundos até algo gigantesco aparecer: pode ser um aivão, uma bomba, uma esquadrilha ou outra nave.

Como um fanático pelo musical Amor, Sublime Amor -(1961) dos diretores Jerome Robbins e Robert Wise é difícil crer que Bay baseie cada plano e cada corte de seus filmes num musical com coreográfias de balé. Mas ele faz isso, usando e abusando dos cenários como se fossem o guarda-chuvas de Gene kelly em Cantando na Chuva– (1952). Não é só de tomadas custosas como a de uma câmera sobrevoando um helicópeto é que são feitos seus filmes.

Não importa se seus filmes tenham a capacidade de derreter um cérebro em estado perfeito, Michal Bay tem um estilo, tem a capacidade de transformar um conto num épico, visualmente trabalhado e em escala monumental, e ainda sim, “transformar” tudo num festival de aberrações. E isso é basicamente o novo Transformers de Michael Bay.

5/10

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