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Para ser um grande pintor é preciso mais do que talento no pincel: é preciso de todo um mistério por trás.

O famoso diretor italiano Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso, 1988) deixou um pouco do habitual melodrama de lado, para focar num suspense que flerta com raízes noir.

Virgil Oldman (Geoffrey Rush) é um rico e famoso leiloeiro com a habilidade única de identificar peças falsas entre originais da história, e aproveita-se desse talento para aplicar golpes em seus leilões junto com o amigo Billy Whistler (Donald Sutherland) ele espalha boatos sobre a veracidade da obra, para que que haja poucos lances, e assim Billy arrematar por um preço hábil, e Virgil ficar com a obra para vendê-la por um preço específico, ou, fazer parte de sua coleção secreta. Oldman recebe uma ligação de uma moça pedindo para que ele avalie uma herança de quadros e móveis deixados pela família dela antes de morrer, mas a garota Claire Ibbetson (Sylvia Hoeks) recusa-se a aparecer, dificultando o trabalho de Oldman, o colocando num jogo de gato e rato com consequências que iriam mudar a vida do leiloeiro.

É peculiar a relação que os personagens de Tornatore possuem com determinados objetos, Totò de Cinema Paradiso tinha uma verdadeira paixão pelo projetor de cinema e sua mágica, o mundo todo estava escondido dentre as engrenagens que faziam o filme rodar, assim como o pianista 1900 em A Lenda do Pianista do Mar de 1998, o garoto que havia crescido num navio e batizado com o nome do ano em que foi encontrado, jamais pisou em terra firme, e fez de seu piano, um elo com o mundo e seu único amigo de verdade. Assim é com Virgil e sua relação com a pintura: um homem frio, que não encara as mulheres de frente, usa luva para contatos com outras pessoas e objetos que sejam do atual século e frequentemente pinta o cabelo para manter se jovial como as figuras das pinturas que coleciona

Tornatore dá início a uma trama que por quarenta minutos, sem mantém incógnita, não se imagina o seu desfecho, mas todos os elementos que revelam o enredo estão soltos, pronto para serem catalogados e unidos. A partir do momento em que as peças podem ser juntadas, o quebra-cabeça, mesmo que ainda falte partes, pode ser interpretado por completo, e se permanece por vários minutos num jogo de gato e rato repetindo-se, mantendo vivo pela direção inquietante de Giuseppe que não dá espaço para respiros, e coloca subtramas que tomam o tempo de Virgil, e acabam revelando o inseguro homem que ele é, escondido em sua solidão e talento.

Oldman mantém contato com um jovem Robert (Jim Sturgess) capaz de consertar qualquer objeto, e juntos, tentam reconstruir um autômato- um tipo de androide que imitava movimentos humanos, e possuía um mecanismo complexo de montagem. Mais uma característica dos personagens de Tornatore, são seus cumplices, o que dão mais força para que o personagem consiga o que pretende, mesmo que sua moral seja duvidosa.

Destrinchar o filme, é correr o risco de revelar qualquer detalhe crucial que estrague o desfecho final, as engrenagens que compõe essa bela pintura de Tornatore estão avulsas dentro do quadro, mas podem ser facilmente montadas, e se for feito antes do tempo, torna todo o jogo lento e desesperador. Totalmente compensável pela atuação de Geoffrey Rush.

7/10

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