Jersey Boys: Em Busca da Música

Não é a primeira vez que Clint Eastwood se arrisca ao produzir filmes relacionados ao cenário musical, quando em 1982 flerta com o gênero ao dirigir “Honkytonk Man” deu-lhe forças para avançar um passo a mais e produzir a história de vida de seu ídolo do Jazz, Charlie Parker em Bird (1988). Eastwood deu uma longa pausa e retornou com um espetáculo da broadway que trouxe à tona, os bastidores conturbados da vida dos rapazes do Four Seasons, conhecidos principalmente pelo sucesso na década de 60 com os hits “Sherry,” “Big Girls Don’t Cry”, “Walk Like a Man” e por que não, “Can’t take my eyes off you” de Frank Valli.

Clint dedicou muito do seu tempo pesquisando as diferentes formações da peça teatral, além de sua já famigerada preocupação com a escolha dos atores. Four Season funcionou muito bem no teatro, porque o teatro fala diretamente com o público, há uma proximidade maior do que o cinema pode oferecer. Eastwood começou por adotar esse método fazendo com que os personagens tenham seus “escapes da vida”, e olhem diretamente pra câmera fazendo do espectador um divã contando a vida agitada do quarteto.

Nascidos no subúrbio de Nova Jersey, o trio Frankie Valli (John Lloyd Young), Tommy DeVito (Vincent Piazza) e Nick DeVito (Johnny Cannizzaro) os rapazes viviam de pequenos furtos para a máfia, apadrinhados pelo “poderoso chefão” Gyp DeCarlo (Christopher Walken) escapavam sempre que possível para cantar nos pubs, e encantar as garotas, que se apaixonavam pela voz incomum de Frankie Valli. Encorajados e confiantes em seus talentos, o grupo adiciona mais um companheiro Nick Massi (Michael Lomenda) e dão sua cara a tapas até o início do sucesso que culminou em milhões de cópias de discos vendidas e 3 hits de sucesso. Enquanto suas vidas pessoais iam decaindo conforme o sucesso aumentava.

A perda da inocência e o amadurecimento precoce são temas que permeiam a carreira de Clint como diretor, o personagem é sempre mais importante que a história, e não foi diferente com os Jersey Boys, suas histórias sobrepuseram o espaço que deveria ser dedicado à música. Mesmo que decorram num ritmo lento, é mais importante para o diretor à motivação dos personagens- principalmente diante de tragédias, que os façam voltarem a abraçar sua causa perdida, do que simplesmente retornar porque é necessário para o desenvolvimento final do ato. E por isso Jersey Boys se transforma num filme musical não musical. Estão lá, entre algumas páginas de roteiro/alguns minutos do filme, a forma como Nick Massi junto de Bob Crewe (Mike Doyle) compunham os principais sucessos da banda, mas exibidos de uma forma tão superficial que até tira o brilho da música, o mesmo brilho que é reposto quando o quarteto está em palco, com suas roupas iguais e coreografias que eram a marca dos grupos da época.

Jersey Boys não está entre os melhores trabalhos de Eastwood, mas antes que pensem na incapacidade do diretor de dirigir um musical, Clint mostra ao final, que apenas não quis fazer mais do mesmo, esse é seu estilo de fazer filmes, e talvez seja o “estilo Jersey” de se fazer as coisas.

6/10

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