Godzilla

A produtora Legendary Entertainment confiou às mãos do ainda novato Gareth Edwards (Monstros, 2010) a difícil tarefa de reviver uma lenda, ou melhor, um deus das profundezas do oceano direto para a civilização.

Trazer o mais popular Kaiju do oriente para o ocidente é uma árdua tarefa e de consequências catastróficas, assim como foi à tentativa de Roland Emmerich em 1998, que de tão tortuosa em relação às versões japonesas foi apelidado pelos nipônicos de “Zilla” em um dos vários filmes orientais do monstrengo onde ele surgia em Tokyo, para levar uma surra do “original”. J. J. Abrams tentou em 2008 criar uma versão americana do monstro em Cloverfield, que afetado por sua própria estética de falso documentário, foi insuficiente para que sequer pudéssemos enxergar melhor a ameaça. ano passado foi a vez do consagrado Guillermo del Toro, que de tão ingênuo e crente em fábulas e mitos de fantasia, soube representar muito bem a ameaça caótica de monstros gigantes invadindo a cidade, mas novamente, por sua ingenuidade e o excesso de fantasia, acabou prejudicando seu magnífico Círculo de Fogo que de tão orgástico e colorido acabou não se levando tão à sério quanto devia para ser bem aceito.

Mas dentre essas gigantescas tentativas, uma delas que não fez barulho o suficiente, mas ainda sim gerou um pulso que chamou a atenção das pessoas certas, foi em 2010 com o pequeno filme do pequeno diretor Gareth Edwards, um filme sobre monstros gigantes, onde eles quase não aparecem, mas é possível sentir a ameaça em grande escala que percorre a história.

Parece que Edwards aprendeu a lição, só há um Deus, e este é Godzilla e apesar das poucas mudanças corporais, ele tem sua própria identidade visual. Na trama: o Dr. Ichiro Serizawa (Ken Watanabe) estuda por anos, um estranho padrão de pulsos eletromagnéticos gerados por uma forma de vida que se acreditava extinta, afetados por esse impulso, o cientista Joe Brody (Bryan Cranston) perde sua mulher durante um acidente nuclear, e passa a vida estudando o que ocasionou o acidente. Anos depois a verdade é finalmente revelada, quando monstros gigantes atacam a cidade, o exército deposita as esperanças no Dr. Ichiro Serizawa e no filho de Brody, Ford (Aaron Taylor-Johnson).

O filme é cheio de altos e baixos, começando muito bem introduzindo a clássica história de 1954, num mini-documentário investigativo que parte para uma sequência direta explicando rapidamente o retorno de Godzilla pra água. Sem muitas delongas, ele apresenta personagem por personagem e suas relações com o desenvolvimento da história, até chegar o esperado momento do despertar dos monstros. Com um roteiro desestruturado, o diretor perde preciosos minutos explicando o plano mirabolante do exército para conter a ameaça, e ainda tentando transformar Aaron Taylor-Johnson no Paladino da história. Gareth peca profundamente em desperdiçar um maravilhoso elenco transformando em mínimas as participações de Cranston e Juliette Binoche que interpreta sua esposa Sandra. E não aproveitando a importância do personagem de Ken Watanabe que prende sua atuação a olhares curiosos e cabisbaixos em seu binóculo.

Momentos de euforia preenchem a tela quando Godzilla solta seu monstruoso rugido e parte pra batalha contra os MUTO (nome dado aos monstros secundários) em uma batalha que respeita a escala dos monstros. Uma linda visão, muito bem criada e dirigida . Gareth Edwards transforma o caos em espetáculo, e deixar surpresas reservadas para os fãs do Kaiju. A escolha do diretor em revelar a ameaça aos poucos dando ênfase nas consequências destruidoras, só aumenta a expectativa de ver o embate final, o que é claramente um abuso do clichê – a ação cortada, suspense interrompido para prender a atenção e depois frustrar o expectador, que só terá o que quer quando a luta final começa a se aproximar.

Godzilla não é um filme que será por muito tempo lembrado, como o original, mas sem dúvida fará esquecer o lagarto gigante, ou “Zilla” que fez apenas zombar com o nome do verdadeiro deus dos kaiju.

8/10

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