O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

Das pequenas engrenagens que vão formando o relógio no pulso de Richard Parker logo ao início do filme, até as grandes que decidem um passo crucial no futuro de Peter na torre da Oscorp, fica a sensação metalinguística de que o grande problema de “O Espetacular Homem-Aranha 2” é a sua administração de tempo.

Ser o Homem-Aranha implica em realizar multitarefas se atrapalhando na maioria delas, mas conseguindo realizar a crucial: o combate ao crime. Quando o primeiro filme reboot foi lançado em 2012, o produtor veterano Avi Arad e o novato Matthew Tolmach estavam perdidos diante da mina de ouro que tinham nas mãos, uma “teia” de novas possibilidades havia se formado ali; como recontar a origem do herói para o cinema?! Deixaram a cargo de Marc Webb que como diretor de videoclipes possui um exímio domínio visual de elementos que compõe a cena, mas peca na direção ao tentar acertar o tom do filme, mas faz acertar os poucos centímetros que a câmera precisa pra mostrar a marca Sony no computador de Richard.

Peter Parker/ Homem-Aranha (Andrew Garfield) está feliz como sendo a atração principal de Nova York, combate o crime e chega a tempo para sua formatura e pra sua garota Gwen Stacy (Emma Stone), contudo, a vida de Peter vai sofrendo abalos, como o retorno de um velho amigo, o fantasma do pai de Gwen e um vilão que ataca por razões não muito bem definidas que nem mesmo merece ser visto como ameaça.

É esperado que muitos fãs apreciem o novo produto de Marc Webb como a melhor aventura do cabeça de teia, pois de fato nem Sam Raimi conseguiu realizar uma proeza estética tão bem representativa aos quadrinhos do que a experiência de Webb com videoclipes e toda a equipe de artistas digitais conseguiram nos proporcionar, e por isso merecem honrarias – mas não se faz um bom filme somente por suas qualidades visuais, é preciso um roteiro que se sustente, e para isso Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner surgiram para trazer um pouco do espírito dos quadrinhos para a tela, das histórias antigas, onde rápidas soluções eram a chave pra derrotar o vilão e dar andamento a história.

O que o novo diretor parece não ter entendido, ou tenha sido inibido de tentar, é que o personagem espetacular não se trata do Homem-Aranha e sim de Peter Parker, enquanto nos quadrinhos os vilões não são nada comparados aos desafios que Parker precisa enfrentar, desde os seus dilemas morais à falta de recursos financeiros e as perdas de figuras próximas a ele. Não que o filme deixe de abordar isso, mas o excesso de subtramas aliados ao tempo em que o personagem precisa aparecer mascarado e dando belas piruetas pela cidade deixam a história de lado, resolvendo-se com soluções preguiçosas e repetitivas como os vídeos deixados tanto por Connors como por Richard dando as respostas mastigadas que o Aranha precisa saber pra caçar os bandidos, ou o uso excessivo de câmeras tortas pra enfatizar às vezes em que Peter fica perdido em suas decisões, além de diálogos expositivos que explicam o que já estamos cansados de saber. Tudo isso ignora o principal fato que é o apreço que temos pelo Aranha, não por ele ser um super-herói, mas por ser o herói mais próximo de um simples humano.

7/10

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