Getúlio

Uma das mais importantes figuras da política brasileira, em seus últimos dias de governo. Com um breve monólogo que aborda tanto suas conquistas quanto fracassos, Getúlio Vargas aos poucos surge na tela: com sua face cansada, seus olhos caídos e ainda tentando manter-se vívido diante de seu gabinete.

O diretor João Jardim (Lixo Extraordinário,2010) tenta trazer à tona o famoso “Atentado da Rua Toneleros” ocorrido em 5 de agosto de 1954 quando o jornalista e político Carlos Lacerda –um forte opositor ao governo Vargas, foi atingido no pé durante uma tentativa de assassinato que acabou por matar o major-aviador Rubens Florentino Vaz. O incidente acabou revelando que o principal suspeito estava ligado a guarda que protegia o ex-presidente Vargas, inicia-se então uma caçada para tirar Getúlio do poder.

A linha tênue entre a razão e loucura é algo que pode ser decidido sob a quantidade de pressão sofrida no momento, Getúlio Vargas (Tony Ramos) em uma ótima atuação, consegue disfarçar a expressão de um velho cansado da guerra, entreposto sob uma postura frígida de um homem que capaz de controlar um exercito, mesmo diante de sua queda. João Jardim não nos entrega uma visão fechado do caso, até porque nunca foi totalmente esclarecido, mas ele nos enche de questões, as mesmas que desencadearam o processo investigativo da época e cabe ao público definir sua versão. Não coloca Getúlio como um mártir, mas sim um homem forte, querido pelo povo, porém profundamente atormentado por seus medos.

O filme segue por um caminho correto. À medida que mais fatos vão surgindo, personagens vêm juntos. E sempre ao lado de Vargas, está sua filha Alzira (Drica Moraes) que carrega toda a tensão nas costas, aliás, quase todo o elenco pode ser considerado competente, na medida em que a carga dramática é concentrada em Getúlio e Alzira. Alguns poderiam ser facilmente descartados, ou melhor, trabalhados como o Carlos Lacerda personagem de Alexandre Borges que para o um dos personagens principais da trama, é pouco trabalhado e quase não aparece.

“Getúlio” falha no principal, não consegue manter o thriller necessário, talvez pela quantidade de personagens que aparecem apenas para compor o cenário político da época, e uma prévia da ditadura que estaria por vir, ou pela tentativa de criar uma biografia realista com o tom de espionagem. Vindo do documentário é inevitável perceber as referências estéticas do diretor, como uso de câmera na mão e os planos sequência, algo até funcional, mas que veio a se tornar uma linguagem mais televisiva e nem tanto cinematográfica, da mesma forma, a trilha sonora que pontua cada momento dramático chega a ser incomoda e desnecessária.

Os problemas não tiram o mérito da direção, mas prejudicam o andamento do filme, que acaba por se tornar enfadonho, apesar de também ser visualmente bonito, é claro que ele precisa didático ao extremo, e funciona bem como um filme pra aula de história, mesmo representando apenas um ponto de vista dela. De qualquer forma é bom saber de onde se originam os nomes que compões escolas, praças, ruas e avenidas.

6/10

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