Noé

A clássica pergunta científica “Quem somos, de onde viemos e pra onde vamos?” é algo que talvez jamais seja explicado de forma concreta e aceita pela maioria: versões e versões de supostas “explicações” deixadas por nossos antepassados revelam um mundo de mistérios ainda além de nossa compreensão. Darren Aronofsky, um diretor de origem judaica e declarado ateu, é um dos que busca uma compreensão que ignora a fé e concretiza-se na razão para descobrir tais respostas.

Após perambular pelos mistérios do Torá, em Pi (1998), anos mais tarde buscando um lado mais cósmico/científico em A Fonte da Vida (2006), Aronofsky busca no livro Gênesis, sua nova inspiração.

“No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz.” – Gênesis 1:1-3.
Como num especial do History Channel vemos a expansão do universo e da vida em poucos minutos, até chegar ao homem, mulher, filhos, expulsão do paraíso. Os irmãos sobreviventes Caim e Set se separando após a morte de Abel, dando origem ao maniqueísmo que os divide entre o irmão bom e o mau. Noé (Russell Crowe), descendente de Set, é um dos poucos que não foi consumido pela luxúria dos homens. Após um sonho que o leva a visitar seu avô Matusalém (Anthony Hopkins) para pedir-lhe conselhos, Noé e sua família começam uma jornada épica.

É necessário um mínimo de informação pra estar atento ao fato de que não se trata da clássica história de Noé. Não vemos um ancião de 600 anos, barbudo e que mal segura um cajado. Noé é um homem forte, sábio e fundamentalista acima de tudo, incumbido de uma tarefa colossal. Se o escolhido tem ajuda divina de anjos caídos e matéria prima a seu favor: o rival, último descendente de Caim, Tubal-cain (Ray Winstone) tem o talento da criação de armas e um exército de pecadores.

O embate do filme não parece estar na disputa entre o bem e mau, mas no quão Noé fica cada vez mais devoto ao “criador” e vai deixando sua esposa Naameh (Jennifer Connelly) de lado, e um de seus filhos, Cam (Logan Lerman), cair em tentação.

É precisa muita paciência pra acompanhar toda a tentativa de se criar situações dramáticas, quando a única coisa que muda nos personagens é o cabelo. E ainda aturar certas incoerências que são difíceis de engolir até mesmo para um épico. Nem mesmo a trilha do fiel Clint Mansell conseguiu dar prestígio a tentativa frustrante de Aronofsky ao fazer uma releitura “badass” da Bíblia, o que é uma pena, pois foi uma ótima ideia.

Noé é um filme que não se sustenta nem mesmo nos diálogos, apesar das inúmeras falas fiéis as escrituras, que quando dita pelos personagens parecem simples falácias dado a situação em que se encontram. Só resta ter paciência pra aguentar mais de duas horas de atuações medianas e uma guerra pseudo “O Senhor dos Anéis” e pensar “perdoai-vos pai, ele não sabe o que fez”.

5/10

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