Alemão

O mais novo filme de José Eduardo Belmonte parece demonstrar um claro amadurecimento como diretor, dentre suas tentativas, Belmonte possui seus altos, baixos e um esquecível “Billi Pig” (2012) que pode facilmente se encaixar entre os piores filmes da sua carreira. O diretor vem se redimindo e acerta em sua nova produção, “Alemão”, obra baseado na invasão da polícia no famigerado Morro do Alemão em 2010, onde numa tentativa de acabar com o tráfico, vários moradores ficaram acuados em suas casas vivendo o terror da guerra.

Continuando sua parceria com Milhem Cortaz e Cauã Reymond, Belmonte parte da premissa que cinco policiais disfarçados foram inseridos na favela com a missão de criar um laço afetivo com os moradores e descobrir os esquemas de tráfico e defesa dentro da comunidade. Playboy (Reymond) o líder do morro e seu fiel escudeiro Senegal (Jefferson Brasil) descobrem a identidade de quatro dos policiais disfarçados, Danilo (Gabriel Braga Nunez), Samuel (Caio Blat), Carlinhos (Marcello Melo Jr) e Branco (Milhem Cortaz) que se refugiam na pizzaria do quinto integrante com a identidade ainda preservada, Doca (Otávio Muller). Lá, os policiais lutam contra o tempo para pensar numa forma de escaparem do morro enquanto a polícia inicia uma intervenção na tentativa de resgatá-los.

Com roteiro de Gabriel Martins e colaboração de Leonardo Levis baseado na ideia de Rodrigo Teixeira, o filme mescla ficção e realidade usando de arquivos originais da época para compor o realismo dramático necessário. Belmonte, junto com os editores Bruno Lasevicius e Virginia Primo também fazem uso de textos descritivos que ambientam a situação na ordem em que os fatos ocorrem.

O 1º ato é bem construído, o diretor descarta tudo o que é desnecessário e nos conta em poucas sequências o dia-a-dia da comunidade e dos policiais inseridos nela, como eles se adaptaram ao ponto de estarem longe de qualquer suspeita. Sem menos delongas a caça as bruxas começa, e logo vemos os cinco policiais encurralados sob a pressão de que todos os traficantes querem suas cabeças. Belmonte e seu diretor de fotografia Alexandre Ramos, conseguem toda a ambientação claustrofóbica, sempre com planos médios e de conjunto o diretor consegue passar uma visão de enclausuramento vívido pelos policiais, além do conflito interno de cada um.

Certos elementos dramáticos aparecem no tempo certo, como o romance de Carlinhos e Letícia (Aisha Jambo) descoberto pelos traficantes e usado a seu favor na captura dos cinco, outros parecem forçados, mas aceitáveis como a personagem de Mariana Nunes que sai do conforto de sua casa para ir até a pizzaria de Doca pegar o salário da faxina, mas acaba descobrindo o esconderijo, enquanto eles descobrem um segredo crucial que os ajudará em sua tentativa de fuga.

Em alguns momentos, o filme dá umas boas escorregadas, principalmente quando corta para o subplot do Delegado Valadares (Antonio Fagundez) que busca resgatar os policiais, dentre os quais está seu filho Samuel. Outros escorregões estão na decupagem das cenas de ação que lembram mais uma novela do que um filme. Alguns planos chegam a ser confusos. Reymond não conseguiria convencer nem a metade de seu personagem, não fosse estar lado a lado da incrível atuação de Jefferson Brasil. O mesmo vale para os policais que com exceção de Milhem Cortaz e talvez Gabriel Braga Nunez não convencesse como policiais, mas em conjunto, um complementa o outro em alguma virtude. Por fim, Alemão pode propiciar, apesar de seus escorregões, uma importante lição sobre as comunidades e a polícia e a visão de cada uma sobre o significado de “pacificação”.

6/10

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