Robocop

Sei que é meio difícil mas, vou preferir falar sobre o filme sem fazer comparação com o antigo. Primeiro por que não me lembro muito bem dele e segundo porque é melhor buscar os méritos do filme por si mesmo. Enfim, devo dizer que gostei bastante da produção. Achava que teríamos mais um enlatado norte-americano com explosões e coisas para agradar os mais jovens mas, não. Realmente me pegou.

Essa crença se deve a produções como Transformers, onde percebe-se uma potência perdida, um filme que poderia ser mais interessante mas, devido às cruéis regras do mercado, vira apenas um produto para vender bonecos e McLanche. Robocop (2014) conseguiu fugir um pouco disso. Senti que retornamos à função original das ficções científicas: buscar um questionamento dos comportamentos da sociedade através de histórias em universos diferentes. Obviamente algumas das regras mercadológicas continuaram, como uma violência mais branda para não afetar a classificação indicativa, coisa que os fãs da versão antiga reclamaram, e um conflito final que não chega a ser forçado ou inútil, mas, também entra nos requisitos mercadológicos.

O robô policial do filme pouco tem influência sobre as ações do longa. Ele é apenas um ventríloquo, um produto na mão de grandes nomes do mercado. O verdadeiro embate está nas salas dos executivos e atrás dos vidros dos laboratórios. Vemos uma indústria que quer faturar alto e, para isso, utiliza o medo, a violência sentidos pela sociedade e as esperanças de uma esposa preocupada com o marido como ferramenta. Como aliado utiliza a indústria da comunicação (representado por um excêntrico apresentador interpretado Samuel L. Jackson) que tenta influenciar a opinião pública com seus discursos tendenciosos.

O longa é dirigido pelo brasileiro José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2) que fez o dever de casa direitinho. Construiu uma história interessante que prende o público e no final fecha a trama mas, deixa um espaço para uma continuação (coisa que certamente vai acontecer se tiver um bom rendimento).Também é interessante a mudança no “uniforme” do herói (e que todo mundo apedrejou) ser algo proposital e ter uma função objetiva no longa.

Resumindo, apensar de não ser tão impressionante e sangrento quanto o original e tendo de obedecer algumas regras do mercado, o Robocop do século XXI, conseguiu ser uma produção interessante e que cativa o expectador fugindo das tradicionais formulas dos Blockbusters que pede mais ações do herói para vender mais produtos. Parabéns, Padilha, fez um bom trabalho. Se der resultado nos caixas de Hollywood seu emprego ta garantido por um bom tempo.

8/10

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