Ninfomaníaca: Volume 1

Lars Von Trier, um dos criadores do “Dogma 95” retorna com uma de suas produções mais polêmicas.
Vendido como um pornô de celebridades, Ninfomaníaca é entregue como uma sopa de letrinhas temperada com softcore.

Lars, que sempre esteve envolvido em polêmicas, seja pela maneira como trata seus atores, como apresenta seus filmes ou como mantém sua imagem maníaca depressiva, mais uma vez falha ao tentar polemizar e apresenta um produto  menos corajoso em relação a sua filmografia. Escondido atrás da carapaça de um diretor incompreendido, Von Trier camufla a imbecilidade de seus atos covardes, seja tratando os atores como gado – como já sugeria Hitchcock- matando um animal para uma cena em Manderlay (2005), apenas para depois cortá-la do filme, segundo ele, devido a “repressões” por grupos de proteção aos animais, ou até mesmo por suas atitudes no festival de Cannes, ou pela desculpa mais nova; culpar a censura pelos cortes que não o deixaram apresentar sua produção mais chocante.

Num beco apertado, escuro e com calhas molhadas (o que pode ser uma metáfora para a vulva da ninfomaníaca) o velho Seligman (Stellan Skarsgård) passeia para uma rápida ida ao mercado, sem perceber que Joe (Charlotte Gainsbourg) encontra-se desmaiada ao chão. Enquanto a câmera de Von Trier passeia pelo cenário, entrando em cavidades estreitas e escuras, Seligman passa novamente pelo beco e dessa vez a encontra.A partir de uma rápida conversa entre os dois, Joe solta uma das frases mais recorrentes no filme: “Eu sou um ser humano ruim”.

Divido em oito partes –sendo quatro para cada filme- a história é contada em uma sucessão de flashbacks, contando desde a infância “suja” de Joe, começando pela idade em que ela conheceu sua boceta até os tempos em que sexo era mais do que um hobbie. Dotado de um moralismo típico de Von Trier, Ninfomaníaca parece uma versão moderna das confissões de Maria Madalena pra Jesus Cristo, onde ela o tempo todo se julga suja sendo um ser humano ruim, enquanto o bom samaritano tenta reergue-lá falando que não há nada de errado em ter tais sentimentos.

Enquanto Joe narra sua história rica em detalhes Freudianos, sendo ela admiradora do pai e mantendo distância da mãe, o bom ouvinte Seligman faz constantes pausas para assimilar a vida da garota com a preparação para uma pescaria, desde a análise da topologia para descobrir onde achar as melhores caças, a isca perfeita e a observação do rio, ou com a perda de sua virgindade assimilando aos primeiros números da sequência de Fibonacci, que irão ser calculados em forma crescente, assim como os parceiros de Joe. Tudo é motivo para uma metáfora, que não são vazias, mas desnecessárias. Similar a um grande prólogo, o Volume 1 de Ninfomaníaca parece apenas uma parte forçada que você precisa para entender um todo, talvez por isso o diretor tenha optado por colocar cenas dos próximos capítulos nos créditos do filme, onde parece haver mais metáforas e sexo do que a primeira pôde oferecer: um convite para que o público não saia por inteiro decepcionado por não ver as cenas hardcores prometidas na campanha do filme.

No fim, Ninfomaníaca parece mais um golpe de marketing que polemizou ao ponto de esclarecer que haveriam dublês de corpo devido as fortes cenas, e apresentou uma história de moral regada a metáforas soltas, que para os fãs obviamente será algo monumental, mas o fato, é que Lars Von Trier não é mais ousado como em seus tempos de Dogma 95, e apesar dos excelentes elementos escolhidos para tratar em seus filmes, ele está em seu próprio personagem que polemiza mais nas palavras que nos filmes.
Esperamos que o Volume 2 preencha melhor as lacunas do que os belos planos fotográficos do filme.

7/10

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