Azul é a Cor Mais Quente

O maior triângulo amoroso e odioso do ano nos cinemas aproxima-se para o deleite de quem o aguarda incessantemente desde sua vitória no Festival de Cannes de 2013, a relação conturbada entre as atrizes Léa Seydoux, Adèle Exarchopoulos com o diretor Abdellatif Kechiche tornou-se tão chamativa quanto o amor das personagens Adèle e Emma.

“Azul é a Cor Mais Quente”, baseada nas histórias em quadrinho “Le Bleu est une Couleur Chaude”, escritas e desenhadas pela estudante de artes Julie Maroh, e publicadas em 2010 quando a artista tinha seus 20 anos: tornou-se um fenômeno de crítica ao quebrar alguns tabus da censura, mostrando cenas de sexo lésbico, longas e vivaz.

Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma colegial em fase de descoberta de sua sexualidade. Ela gosta de um garoto, mas é uma garota de cabelos azuis quem a conquista. Emma, (Léa Seydoux) uma estudante de Belas Artes, que carrega consigo frases de Sartre símbolo do existencialismo que tornam seu discurso tão forte e encantador que levam a jovem e inexperiente Adèle a encontrar em Emma alguém para se inspirar.
Enfrentando medos e preconceitos em sua relação amorosa, Adèle e Emma respondem com sexo incessante que as aproximam ainda mais. elas levam suas vidas com segurança, tornam-se independentes, inteligentes e possuem um semblante de confiança que impõe respeito sobre os demais.

O diretor Abdellatif Kechiche (Vênus Negra, de 2010) perdeu uma importante prova de vestibular para dedicar-se ao filme, fazendo da vida das atrizes um mártir. Segundo entrevistas, Kechiche gritava, repetia takes e takes até que o amor entre as duas ficasse convincente, e conseguiu que, através do olhar dominador de Emma e do curioso de Adèle fosse transmitido algo muito profundo, verdadeiro e selvagem,

Kechiche quis nos aproximar tanto da relação, que aderiu a moda do cinema francês de filmar em close-up e expandiu isso filmando num Aspect Ratio de 2.35 : 1, uma proporção grande e larga de tela usada preferencialmente para planos gerais, onde pode-se enxergar um exército ou uma paisagem distante. O longa nos enche incessantemente com closes e super closes. Nos sentimos tão próximos que podemos tocar, imaginando até mesmo a crueza com o que Kechiche deve tê-las tratado para conseguir tal realismo cênico. Não há arte, nem figurino ou uma trilha especifica que pontue cada momento em suas vidas. Há um contraste de cor que ainda as divide, e às vezes parece que não há amor, apenas a vida de uma garota de dentes tortos, aflorando sua sensualidade, descobrindo-se na vida e aprendendo da forma mais prática as decepções e prazeres da maior idade.

Tudo isso para entrar na mente e na vida de Àdele e Emma, deixando os personagens coadjuvantes de lado, Eles tem como sua maior função apenas provocar cenas de constrangimento ou piadas internas que só as duas e o espectador irão entender. Apesar de sua longa duração (2:59h) e das ações repetitivas, as protagonistas conseguem nos cativar de uma forma que nos leva a deixar de ser apenas espectadores sentados para nos tornarmos personagens do romance.

8/10

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s