Uma Noite de Crime

Em um futuro distópico, uma noite por ano, durante doze horas, a população norte americana é autorizada pelo governo a cometer crimes, sem serem punidos. A razão fornecida pelo roteirista James DeMonaco, seria uma noite de purificação, de eliminação da violência internalizada pelos seres humanos, que podem nesta noite liberar sua potência animal e assim, “purificar” a sociedade. O resultado dessa tradição foi zerar a criminalidade e o desemprego, muito provavelmente pelos principais alvos da noite de crime, serem os pobres, e as pessoas vulneráveis que não conseguem se proteger.

A família de protagonistas é encurralada em uma situação, onde tem que matar ou morrer, para defender suas vidas. O casal Ethan Hawke, e Lena Headey, conseguem ser menos artificiais que o resto do elenco, o ator Rhys Wakefield atrás da “máscara” do clicherismo consegue ser um personagem perturbador, e se destaca na produção. As figurantes mascaradas, descalças de vestidinho branco, armadas de facões, enfeitam o filme, mas são irritantemente desnecessárias.

O conflito principal do filme, as escolhas entre o bem e mal, sobreviver à custa de mortes de inocentes é muito comum no cinema de Hollywood, o diferencial seria não ser punido por isso (o que quase nunca ocorre com os heróis no cinema). O que eu esperava ver no filme era mais densidade na execução dos assassinatos, mais dualidade nos personagens que ao se defenderem, realmente expurgassem a ira contra seus opositores. Faltou uma melhor atuação dos personagens, e menos “final feliz” para o filme se sobrelevar.

Aristóteles em, A Poética, introduziu o termo catarse, sentimento produzido pelo espectador que, ao assistir a uma tragédia, se identifica com os heróis ou anti-heróis e através da “purgação e do medo” consegue experimentar situações impossíveis de se viver na realidade. Esse é o papel das artes em geral para a humanidade, inclusive o cinema. Se em filmes como Violência Gratuita e Laranja Mecânica, o tema da violência é discutido e teorizado em um cinema da opacidade, no qual a narrativa não é de fácil digestão, e é reflexiva em “Uma Noite de Crime” é totalmente transparente o entendimento da narrativa e suas intenções.

4/10

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