O Conselheiro do Crime

A mais nova fita de Ridley Scott tem roteiro assinado por Cormac McCarthy, o popular autor e roteirista de tramas famosas como “No Country for Old Men” e “The Road”. O Conselheiro do Crime (The Counselor) foi o primeiro roteiro de McCarthy a passar por vários problemas de adaptação até chegar às mãos de Ridley Scott, que o dedicou à memória de seu irmão, o também cineasta Tony Scott falecido ano passado.

Se por um lado, Tony Scott dirigia filmes com uma carga dramática forte e realista, porém com final esperançoso, Ridley de cara nos apresenta um filme que desde o início transpõe uma simples mensagem: no mundo do crime, esteja pronto pra matar e principalmente pra morrer. O filme não segue uma curva dramática habitual, com autos e baixos dos personagens, mas sim, uma linha reta em direção à ruína.

Doutor “The Counselor” (Michael Fassbender) é um rico advogado que divide sua vida entre luxos e mimos para sua namorada Laura (Penélope Cruz) e um defensor de causas públicas. Movido pela ganância, o conselheiro se envolve com o traficante Reiner (Javier Bardem) e sua esposa Malkina (Cameron Diaz) que lhe faz uma proposta arriscada e com poucas chances de sucesso, o conselheiro aceita e logo é mandado ao encontro do misterioso Westray (Brad Pitt). Mas algo dá errado, e agora, o conselheiro e os demais envolvidos terão que sofrer as consequências.

Um suspense diferente do que estamos acostumados, seu roteiro não dá muitas reviravoltas, seus personagens não tem evolução e tudo segue num ritmo lento e sedutor capaz de te arrancar uns bocejos sem desgrudar os olhos da tela. Talvez o maior mérito esteja na fotografia de Dariusz Wolski (Prometheus) e sua paleta de cores vivas e chamativas que saltam da tela e caracterizam bem o ambiente (mérito também do roteiro de McCarthy conhecido por sua escrita detalhada de cenários). Recheado de participações especiais como Bruno Ganz, John Leguizamo e Dean Norris (de Breaking Bad), o filme nos deixa um vazio porque parece esquecer que há um espectador tentando descobrir quem é quem e o porquê de cada ato, o que Scott e McCarthy ignoram e vão à diante apenas apresentando consequências.

Se pudermos tirar algo de valioso nas atuações, seria exclusivamente de Cameron Diaz, interpretando uma femme fatale deixando de lado suas comédias românticas e pegando um papel maduro e difícil. Os diálogos são outros pontos fortes a se chamar atenção, a maioria sobre sexo, outra sobre morte, sempre tentando demonstrar o poder de cada personagem.

O Conselheiro do Crime não é tipo de filme que esperamos de Ridley Scott, mas é o que ele vem nos apresentado: uma fita sedutora capaz de agradar ainda que sua narrativa não seja das melhores. É envolvente e vale uma conferida.

6/10

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